terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ao Leitor (Soneto Inglês, n° 77. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin. Para Sarah Valle)

É permitido que te encantes nos valhares de Outono
que as palavras plantam junto das íris pelos jardins,
todas as pontes deitadas mansas sobre oceanos
e bem murmures Silêncio mais próprio

às danças da Noite, onipresente em cada forma
de Incógnito, por isso Mar de profunduras Tantrísias,
e mais: todos os ventos não desdirão braços-árvores
onde afinal Prometeu moldando os rostos dos homens,

e então a voz das estrelas, então a prata dos terraços altos
e todo um campo de girassóis no ritual tão antigo
de seguir o sol, farão teus olhos destrancarem portas
que nem sabias existirem, Pássaros: de erês-Cantares

se te encantares___ delas mil vozes que Erijo, sopro de Eterno
vestindo a Pressa das horas.
(Imagem: Parque de BH, de Guignard, 1949)

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