terça-feira, 20 de agosto de 2019

SonetinhoRÔso dois(n.490, forma Paulo Henriques Britto.)

Aprenda a engatinhar, hÔmi-Feito - grita
o meu peixe de aquÁrio,

e que meus rogos te Alcancem,
clamo ao Senhor - desde as profÚÚndas
desta neblina ArraNHÊnta.

No meu cuRRículo está escrito 
que meu anjo da guarda ficou preso 
muitos anos, enquanto um regime de Exceção 
disconchavÁÁva o país. NinguÉm mais há

que distrAÍdo sopre na vidraça 
pra desenhar com o dedo um Sorriso,
não há mais disso em praça,

e nem à venda na casa Kosmos
(palmas d'Aço que ele-Planalto VUMÍÍTA).

Soneto ao Mário(n.489, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

Revóólveres! Manhãs de armas!
Vitrais e deuses!______ deixei 

a alma em sÚÚmbras dele outro 
mundo(não Ouvi quão insolÚÚveis me Foram
aqueles solos de ocarina...)________

Sagres tornadas em vagalhÕEs Enforcados,
pedras com olhos de novilho, e
muRÚÚltidões 'creditando
que o homem desceu na Lua,

canção de Inverno, poema
descadeirÔSO. Ninguém ousando um café, um
acorde perfeito-maior, ninguÉm

chamando o anjo da guarda 
prUmas cervejas. NinguÉm.

SonetinhoRÔso(Soneto, n.488, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Leevi Madetoja, compositor finlandês do séc. XX)

Louvado seja esse puçá catifundo,
beleLÉUS vertendo 'Rrebites

por entre sons de trombeta:
almas descaraLHÚdas passam rodando 
seus rastamundos plenos de criançÁLHA

sorridente feia e morta nos joelhos,
tarde já madurou
e um terço do mar já não existe,
serpente que já foi de pano

numa classe de escola bíblica
na igreja-Velha em Bangu_________antes
de matarem John Lennon

e multidões 'creditarem
que o homem desceu na Lua.

Soneto, n.487

As sete taças da Ira vestidas
em mãos de ibÓs curimÃs
são álbuns  Nus de retratos,
relho Enorme

na mão do grande Dragão.
Chegamos ao reino das chuvas Ácidas
em que homens pÕem fogo às nuvens,
abriu-se o livro dos Dias:

mulheres Arrancam minotauros dos seios,
na esquina um garrucho fardado
prega cartazes pedindo escusas pelo
transtorno, é pelo beeem do zé-povo________

as sete taças da Ira
já deram o pontaPÉ inicial.

Soneto do Semeador Ausente(n.486, forma Paulo Henriques Britto)

Irene boa, Irene prÊta, Irene
sempre de bom humor__________

e nos entanTÉUs desses gruVÊRnos
que evaporÁro Amarildo
foi Vítima

dessa puLÍça mais caveirÚda
cada verão que passa - tiro no quengo
e pelas costas______ homens de fato
com mais Carburadores no sangue,

noite sem chapéu e Lua,
gavetas-Séculos dum trem
que deixa Órfãos moças e quintais_________

eresperanças dum floriléu que
o Semeador já não caBRinca Mais.

domingo, 18 de agosto de 2019

PaisÁÁrge, com jesebÚrdios, n.2(Soneto, n.485, forma Paulo Henriques Britto)

Nu saí do ventre de minha mãe,
e as elocuÇÕes marrons vieram 

dispÔIS. Isso em combinação 
com o céu e os peixes. Ouvir 
a pátria poBRinha clamando junta

por um Louco e este mÔNdrio estar agora 
com a faixa da república dentro do CÚ
em NADA ajuda o jardim onde as
melhores frases de minha mãe viraram

FLORES, palavra, eu Teemo por ele,
com tanto merd'oliva tÓxico no cÉu
por Tudo... a casa, assim como a Tartária

é Velha de arritmias e macaCÔas peladas,
noite é MEESMO sem conhaque e Lua.

PaisÁÁrge, com jesebÚrdios(Soneto, n.484, forma 4/8/2. Para Caleb Baltazar)

Ah, os hÔmi... passam 'charcados,
pluriembebidos em SI, mas seus ombrÔS
são todo um poste de Mar e
almas vestidas em SAL_________

ilhargamaSSa  que É
conversa pra boi DRUmí, janela 
para a qual se fecham dez sóis,
turturuVÊio dos capetas. 
Eis a verdade: soldado cujos costados
jazendo mortos e Arrefecendo no campo 
("está Boa a cigarreira, ele é que já não Serve"):
é verso que não mais corre com sete PÉS...

______todo este ombro
é Nenhum.

SonetoroRÓ(soneto, n.483)

Aqui onde elas traças sobem à mesa
itabirana é a Certeza quando se olha 
o quadro ranhurando a parede: DÓI,
que é barbaridade________

Brasília agita os calÇÂmes dum forroBÓ
onde as Cucuias de nóis todos dão-SE os pés,
o pobre - tengo lengo tengo lengo -
já NÃO mais anda de avião  e nem

tem Nove Dedos no Alvorada...
pararam as obras da matriz 
e os pareDÊS sem vitrais são nossos 
rostos de Onde se 'rancaram as janelas_______

ele Amarildo não tem mais corpo, engavetaram
seu Nome - Eli LÂÂma sabacTÂni...

sábado, 17 de agosto de 2019

"É NÔÔÔITE"(Soneto, n.482, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Dorival Caymmi)

A noite pôs dentadura e tuPÉte
pra fora, sem chapeLÉU e sem lua

que, dispensada do Ofício ia bêbada
na condução, de misturÉBA com pernas,
um monte delas vestindo carcaCÊ

merd'oliva, num jeito que se Drummond Visse
também não teria A solução 
(nos estÁdios há Risco de os quero-queros
levarem tiro nas fuças________

São Paulo não reconheceria neste araPÔngueo
carburatÓrio a antiga lÍngua dos homÊIns)
mais do que antes formigas carRÉgam unhas,

estrada pro: BelelÉÉÉu________ ê lambaÊê
lamBÁio, ê lamBA - ÊÊ lambaaio...

SoneteRÊto(Soneto, n.481, forma Paulo Henriques Britto)

Então um mundo - onde os bebês
hoje guardados em carRÍNS germânicos

ficarão Surdos e isso beeem antes
de poderem ouvir o Guarani_______
todos os eixos, esqueçam Agora

o claraRÃO da lua sugerindo uns pifas,
mundo 'caba amanhã quando O Relógio
desesperado coaxar como os sapos
e gastar o tempo do acrÉScimo

pensando um verso que não Virá,
tijolo água andarÂIme cimento
homens seguem trabalhando trabalhando

trabalhando_______ Planalto gueDÊia o bedelho:
"Previdência é Igual boi Morto na enchente.

Mais estudo de Corvos(Soneto, n.480. À memória de Mário de Sá-Carneiro. Forma 4/8/2)

...e desde há-Muito se acabaram os
homens______ procuro um rosto
em meio à Farsa do guarda-roupa,
já não Cabe dar o batismo às flores -

irÃo pagÃS como senZÊros RÚins
servir de arauto ao FIM de todas as coisas,
vejo terraços onde aos livros se Arrancaram
as LÍNGUAS, há nuvens GrÃnhas VREmêias
que nem zeBÚ que vai dar Marrada,
mar é Tudo que não sinto mais
e que Anoitece como o Mário no poema
"Torniquete"________ folgadamente

descomeDÊja um boi-Morto, sou EU, pendente
desde o pesCÔço, num perrrneRÊ de ceroula.

SonetoRÓ(Soneto, n.479, forma Paulo Henriques Britto)

No Méier de onde saÍ uns TabeÓcios
achavam que bastááva nascer_________

engano, mais Ledo e profundorÔso,
nos horizontes faltavam há muito
os anjos de calça larga e gravata

ainda com paciência pra ensinar o jazz
num mundoÊ cada vez com menor número
de pessoas-AVES, não há Seu Jorge da CapadÓcia
que Reescreva o milagre dos peixes

nos farraPÓS amerÍndios. A tarde
avÔa pro seu Fim, não há mais Carne
no calçamento das gentes, são mesmo enXÂme

de NÃO-pessoas MALancÚdas_______ só
resta ao coração numeroso andar SILÊNCIO.

Soneto, n.478(Forma Paulo Henriques Britto)

CreuzeBÚs cardinÁlios que não têm graça,
NENHUMA______ 'sse futuro que - Avaro -

pelas janelas avança qual bailarino
que não sentiu na prÓxima Dança
a queda SEM rede à espreita,

não há manhã sob este sol MunGUÉlo,
a gente reza para ouvir o Uirapuru
como se o lago 'inda coubesse na sala,
as poças continuam nos pÉs mesmo

com as fugas de Azul pelos telhados,
pÁssaros que(sem sentidos) funcionam
como relÓgios com menos cabides,

muros que Ardem com chama antiga,
fuTÚÚNS de faca - amoladíSSima, Insone.

Soneto do vento e da minha vida(Soneto, n.477. À memória de Manuel Bandeira. Dedicado a Henrique João Stutz)

        "O vento varria as folhas..."(Manuel Bandeira) 

O vento varre as sépias folhudas
ainda à solta nela grande Escadaria -
Moisés no cume em Pisga abraça a
terra com os Olhos, 'inda é verão

DESTE lado e no palácio dos pássaros
o vento varre as folhas e a minha
vida, em Laranjeiras NÃO mais
rosto de cinquenta primaveras,

poucos se Tocam - perderam o
milagre_____ ternura é incêndio nele
vão das Agulhas, vão Botocudas as Dores
dum império que as Brumas raaasgam nos dentes________

achar cavalos marinhos na praia(*) em NADA
irá salvar a geração que aSSassSSinou Marielle...



(*)Consultar "Vento no Litoral", da Legião Urbana.

PaiSÁrge em brÊu de soneto(Soneto, n.476)

Caminhando contra ele-Vento
vej'onças pardas à escuridão do
mei'dia... no porto bulhes de adeuses,
lenços, tchauzinhos________

na igreja a Górnia cÂnta os tijolos,
pÚlpitos perdÊram FÔrma
da litania dos perdões... pois amanhã 
um SOCO trará segunda feira 

já previamente morta com Farofa...
a casa Kosmos segue viagem 
em cardinales buNÍtas, caRÁs
presidÊNtes...____________

e tarde a  tarde os canaviÁIS
que não VÓltam...

Soneto, n.475

Esquinas, circunsCRESCÊnticas
assistem ônibus fechando os botecos
nascidos em subúrbios nos melhores 
dias, ela-Vida

zanza nas alergias, se apequeNÉRA
em velhas passeando totÓs pelas ruaÇas,
cartas da paciência espadanadas
na pequerrucha cozinha________

lá - como de resto nos outros cÔmodos -
lá não tem claro/escuro MAIS, desQUÊ
phalSÁrios com bÍblias cagÁram nos arco-Íris
e no planÁLto o cap(e)tão rola-BÓsta

tomou de aSSalto o Alvorada: cavalos Vermelhos
circunsCRESCÊndo ellas caLLes con Sangre.

Soneto, n.474(forma Paulo Henriques Britto)

A máquina do mundo Chegou no vento
sem emitir um som que fosse Náufrago:

mÊs Nasceu na cidadela de SusÃ
com número Absurdo de abutres,
rrrádio traz mais chifres em cabeCÊS

de cavalo contra a vileÂnça dos carros,
noite come os subúrbios onde mais gente 
dorme com fome e os livros não trocam 
dentição______ lá do Planalto 

se dinamitam as universidades 
com Bs-29 transjunCÂndo de corpos
a barca-Mor de Caronte, num tem mais Síndico

pra gente pedir socorro: mataaaaram grã-Mariele
(e naquela noite 'inda Amarildo INSEPULTO).

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Ombrélias chamaNANdo os Fogos(Soneto, n.473, forma 4/8/2, à memória de Maiakovski)

"Não há futuro pras jaquelines sepultas
dos ribeiRÍns" - dizia a malta
que 'inda pisava as florÊncias
com mais Tutano, e canhoLÊS e tropas________

o "Tempo" do Walter Franco - tiquetaque bem
depressa - andou com pernas e SARRAFAÇAIS
quilomeTRÊNIOS direção dos Quintos,
chegou no vento outubro vinte e oito
e estes olhos viram joÕES tranqueRÚdos
irem cantaaando pro Alçapão - os próprios bois
pasmando em Ver como a fazenda-modelo
erige pra dona Morte erês festins e reizados_______

quem tem ouvidos favor criar na cara Vergonha,
de outubro ACÁ mais Amarildos Sumiram.

Soneto, n.472(Para a amiga Tatiana Pequeno. Forma Paulo Henriques Britto)

Há reticências que falam por SI:
Perdi fla X flus, e a esperançália(Marina)

no itoroRÓ não achei. Ilê-ficheiro
de enferrujar-se no charco a própria 
chuva, por cima os flautins

SUMIRAM da gaveta dos anjos, meu
lado esquerdo anda Espaço, a piramBÊra
à mostra como zepelins trazendo a GenÍ
mais coronéis sacruleJÂno' as giromba'...

há reticências que por si discursam
com voz de maracaNÃS______ boi morto
esse terceiro dia de páscoa aos homens

de boa vontade... onde cabia Deus folgadamente
os mesmos homens aSSorearam grãs-Mortes.

Soneto, n.471(Forma Paulo Henriques Britto)

Olhei paredes e escadarices:
um cristo Falso dos mares

entronqueRÁva por tudo ranCÂNdo os couro'
das portas e salas do homem, mãos ao 
trabalho, espÍritos - continuai a azaFÁRnea

de pôr gradeiros nas janelas das almas,
o Semeador Inda sai
mas paciência dos Três tá bem chegando
nos limites do pote, intÃo dispois

não adianta parar aTÔnito
em frente à grande escadaria:
bolsonaro está no Planalto, Serafins

indiferentes virão fechar em Bronze Eterno 
todas as Portas: rancharééÉÉu dos Infernos.

Soneto, n.470(Forma 4/8/2)

CeremitÉrios andam redôntchos,
de tão mas TÃO gordos: até da tabacaria 
brotam zebus pra barca dele Caronte,
coitado, agora sem folga, ou céu.

As crinas e o estandarte azul
viraram Grita dos horizontes em pêlo,
artesanato infinito e mais burumbás,
mais lunários de Momo. A banda nunca 
mais Voz - o Deus-minino precisa ouvir cantar
o minueto do boi, pra que os beatos santÊros
possam botar de-comer na boca dos filhos-árvores,
quero ir contigo, pequena, onde o mar InfinitÊie_________

isso apesar de ermitões, cemitérios, carontes:
Vamos fugir sobre cavalos marinhos.

Soneto, n.469

Os homens seguem obrigando as plantas 
a mudar as camisas, globo de fogo 
sem cão nem deus, sem sopro de Voz 
a lembrar que se tire ela Pedra,

a fim de que da caverna 
o pássaro Saia, tangendo música 
e adornos de Lanças sobre teu dorso, 
teus seios, teus bandolins.

Os homens seguem soltando fogos 
sobre meninos ossudos, cada mangueira 
agora pode esconder um atirador da polícia,
nós voltamos ao tempo dos galeões Digeridos________

servindo de minueto na escada dos Séculos,
bicho nervoso, ele-BOI: descomedido na Enchente.

Soneto, n.468

Um dia foram borboletas 
que de bicicleta saíram pelas janelas
do homem: anjos cubistas tocaram Schubert 
na praça, num repente 

era o Princípio, a Palavra: os Três 
levantam das cavernidades um cós de Mão 
bicando o dorso verde das montanhas 
onde trafegam pianos em flor.

Enquanto isso inda é verão na cidade, 
me lembro o clube da rua Bariri,
Olaria campeão brasileiro da Série C
em 1981_________

e as borboletas de bicicleta me levam
onde a piscina, LÁ, continuará Retinindo.

Soneto, n.467(Forma 4/8/2. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

Para um Silêncio onde amanhãs
não têm roupa e se pluriextanguem
no frio Irreparável que são os chicotes 
dessa cotidiana vida é que preparo

o terno que irei usar nos Chanfalhos...
TacitÚrnico percebo não ter sido rei
nem quando os matos vestiam meu bairro
e inda joanInhas vermelhas dançavam 
no prado em frente...
Para um Silêncio onde os futuros 
são toda a parábola da figueira Seca
preparo meus rÉis de azinhavrado Adeus________

munduRÃO Vidrilhó que sobre minha capa
plantou serpentes, foz de outonos e Espadas...

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Soneteratofônico Dois(n.466. Forma Paulo Henriques Britto)

TaciTÚrnico nos interlúnios -
coisa ou poeta Inimportando

quando ela tarde em grupos de cinquenta
eVÉM caindo pelas janelas da alma,
e escafedÊR-se está mais fora do cardÁPIO

do que o Bangu nelas cabeças da Série A:
a gente Sente as salas Desespelhadas,
sente dos minotauros o catifundo baFÊjo
nos cangorÓtes, e as bíblias nos oratórios

padecem falência Crônica de Escadarias....
a luz por MAIS que intransplanDÊça
fechou-SE a Bronze onde elas horas NÃO

passam_________ ele Amarildo continua morto,
e a gente SEM poder enterrá-lo.

Soneto Arretirado(n.465. Forma Paulo Henriques Britto)

Onde saltérios encanecidos pela
fumaça dos cavalos de ferro e Oonde

tossem relógios 'marfaNHÁdos à Esmo
foi que amarrei meu Jumento -
ossos e a pele-jambo que Visto__________

'sse marzão fetiBUNdo eivado de gravatás
talqualmente o assoalho da casa
de mãe joana sim-senhora,
fogo-Espantéu e nem Antônio Conselheiro

amanheceu_________ do céu esporro
de cada Vez na minha cara
um Rosto de cada Tempo___________

restando ao mucuJÊ  bater com o pé na
pedra, a pedra Preta e Porto Alegre, TCHAU.

Soneto DomininGUË em Bangu(n. 464. À memória de Emily Dickinson.Para Adeivan Ferreira e Luciana Moraes)

Manhã que dos vitrais escadescente Aparece,
velho Ferges deixa os filisteus no pesadelo,
e a Casa deles TRÊS adentra o coração
do velho pastor de tubas__________

o templo da velha igreja presbiteriana
é luz de tardes Hiberninguais(há Muito
um choro de criança não brota daqueles
mármores, e vez por outra o sino da Parca

apaga do rol de membros quem foi minino
em 1930). Tempo assombra de menezes-côrtes
esfumaçando os jardins, Isso não é sopa -
já Murilo Mendes diria. O velho Ferges no entanto

é Todo escalas musicais Subintes: o próprio Lírio
passando Impóluto pelos piores solos.

Esboço a Carvão tambÉM(Soneto, n.463, forma 4/8/2. Para Caleb Baltazar. À memória de Ana Cristina Cesar)

Naufrágio delas luzes de Ofir:
não lembro um céu que me consOle,
capibEribe, capibAribe, iNINterlúnios
que não se gatografam simplesmente,

porque areias d'África jangaram corvos
e o Rosto da europa Anoiteceu,
morreu Sebastião, cabou-SE efó,
o nome morto na lápide se Estende
incrementando o chá-de-língua dos
grimÕES e púlpitos, belerofonte(sobre dois pés)
sem banzo d'Asas pra chamar de chuva,
nunca Mais o corpo do Amarildo Apareceu:

naufRÁgio e muuuuito delas luzes d'Ofir,
não lembro mêêÊÊSmo um céu que me Console.

Esboço a Carvão(Soneto, n.462)

Eu consultei o Mito: 'ssa ausÊNcia
de Erês no coração dos homÍnIdas
eXplica os tons de ChumbÊO
à galoclope CLOPE no céu____________

noite Vastíssima, antiga,
de não mais poemas correndo
soltos na areia, tez-Açaí
das guerras sempre no espeCtro

dos EspelhÔmetros, as danças
na gaiolÊnia do mundo são espantÉUs
de anti-árias para assobio(não há bocas
brotando das janelas da Alma)__________

a Esfinge prepara Avessos
em Todas as suas respostas.
 

Soneto, n.461

Em casa, o velho Ferges de volta
após seu turno de vigia - un peu
de tristesse, evém noitÊra
que não promete, luar

sem Verniz__________ bem que ele
tentou ver pássaros juntando conchas
no costeRÉU da grajaú-jacarepaguá
quando voltava na bicicleta.

MundÃO verÉio anda há tempos
com o bafo do dragão nos cangotes,
o jazz que dizem sair delas bocas
é MALTA, d'espiguiNHÊntos gravataÍS_________

- "é", seu Ferges pensando - "Armagedons
'STÃO todos quase Maduros de TUDO."

Esboço com chifres, Dois(Soneto, n.460)

Manhã que de Amanhãs
mais distanCÊA os costados:
eVÉm sem buço muy Gracias
ao magaNÃO capirÔto que do Planalto

semeia bosta num modo corno,
cornÍSSimo, CorniSSíSSimo -
sem bonifrÁtio e decÊncia
e a gente povo nóis-Tudo

segue o Drummond num tempo
em que não se diz mais
"meu Deus", bonde segue a fanfÁRRA
de AQUI ser a ilha de Manhattan___________

José meu régio, e AGORA? Calendário
empacou na quarta feira de Cinzas...

Esboço com chifres(Soneto, n.459)

Chegou este tempo Absurdo desde
novembro-menos-um-quarto,
manhã sem Buço, nem hoje
nem Nunca_______________

mais chifres em cabeCÊs de cavalo,
serafins descalçados PÉdem socorro,
vomitam locomotivas: guilhotiNÉrias
fumam cigarros feitos da cabeça

das Horas, mas culpa é Nossa,
tamanha - chuVÃO de facas orgânicas
às cinco horas, avenida central para
matar o meu amor e MATEI__________

carnaval se EsmiLÍngue
ver embaÚvas espiguiNHÊntas.

terça-feira, 26 de março de 2019

Historieta Amarguinha(Soneto, n.458. Para a confrade Laís Araruna)

Noite vasta, antiquÍSsima, naufrágio 
das luzes de Ofir no espaço-Tempo
dos reloJÕES derretidos, a própria vida 
um céu de árvores DecotadÍssimas_________

naus que aos portos de Lisboa não Mais
nasceram, desque ele rei Sebastião 
SUMIU nas areias da África, alcÁcer
de Ocaso adulto e seus trezentos baraços

"ah Portugal tu hoje és NevoÊIro",
e as horas flÉbeis, outonais, escondem olhos
que foram o Rosto da Europa,
hoje espantÉU de ânforas Vazias_________

noite AntiquÍssima, ao Longe o mar
que Mais se afasta, e que foi Nosso um dia.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Soneto, n.457(À memória dele Amarildo)

Renasço de estradas gêmeas - pedras 
jequitinhonhas, mão
que desce à pé dos meus Espantos
sol Danado na tarde________

um século girou Seis vezes, horÂndias
que lesmeiam gordas - tempo
de se exumarem infâncias
que a gente enterrou BEM Fundo,

sótão de faca cega e gárgulas
dormindo no quengo que homens calÇaram
no alto do Corcovado: jançam viÚvas
que não recebem pensão_________

um século girou Seis vezes, 'inda Amarildo
continurÚa sem entÊrro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Cantiga da tarde Enrubrêr-se(Soneto, n.456, forma 4/8/2.)

Vétero bosque de retorcidas falanges________
bardo encontra a Cantárcia,
cinco mulheres(de pedra)________
olho d'Água entrega uns Ingás,

vestindo os bÚzios da missa,
me lembram de atender aos meus
mortos, Mar que nunca 
emurchÉce.
Estudei o rosto dos cÁucasos -
toré falava da intarCÊncia
de estrelas, santas nasTÁcias -
destino que é dançarino,

no entanto Mar que não esquece 
que é Água.

Relatório de maio(Versão soneto, n.455, forma Paulo Henriques Britto.)

Não há películas de vidro que MusculÊjem efós,
rosáceas de mais falarem 

as línguas dos homens_______ faltam janelas,
futúns de faca invadem as Rodas
e sempre o Mar realça como Nenhum cinema 

a insÔnia que pelos dedos EscÓrre.
Sobram películas de más-MulÊnciAs
quando a montagem não explica imagem 
e pior, PIOR: poucos se Tocam

que perderam o milagre, astronautas Nus
e meios-fios dentados, som dos shoppings
é Mar sem margens e de mãos Digeridas 

o efó de não MAIS sol, nem jornalÍcies
e Amarildo continua Sumido...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Soneto, n.454

Ipês e pães - paruís
de não se enxergarem Lilazes
e as horas_______ maçambucaba
amplificada em dilÚvios.

Mortos das guerras Púnicas descem
na paulicéia para o sete de setembro,
à frente tocando o gado 
vai cabo Machado marchando,

negrÊs de cinco por quatro 
na farda cÁqui esvoaçando às Ventuças,
não há Quem pegue os relógios,
puxe as cordas pra TRÁS________

ipês e pães, paruís de não Mais
se enxergarem Lilazes...

CançoneRÊta de Cordovil(Versão soneto, n.453, forma Paulo Henriques Britto)

O tordo acorda e anota no caderNÊ:
mar inteiro é mais que dálias gigantescentes

e gavetas de acordes dissonantes________
num mesmo Lado anjos esperam o mei'-dia
pra avisar os homens que parem de Assombrar

o Tempo, mundeÚ cada mÊs 
sem Infância. Tempestade Sorri porque há cada vez 
menos amigos do Hóspede, corpos caem dos andaimes 
mais sem haver quem lhes Nasça,

parece-Me conhecer esta MÓrte
desde o Princípio_________
o tordo acorda, ESTE é seu trilo:

mar que é MESMO 
mais que dálias gigantescentes.