segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Soneto, n.327(Parceria com Luciana Moraes)

A voz se veste de Noite: e o colchão velho 
pesa como uma Sombra de granito.
O sol já não ancora na janela, e o que foi novo
não é mais que sementes de melancia 

no chão Triste de cimento. Traças saem 
da primeira visão da curva, trazem ossos
tatuados nos braços fuderosos_________
tempo d'amanhÃs taMbém já Foi

quaIs derRadeiras abelhas: nossos poréns
não couberam no poTe de mel. 
Detive-me na poNte - inteRminável sofá 
que além de Falso, er'Outro temPo

Lilás__________ voz se veste de Noite,
Marés de efós-Nevoeiro...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O manto do profeta(Soneto, n.326. Para Luciana Moraes, e pro meu irmão André Mauro)

LáÁá depois dos seTe estágios CriÔntimos -
onde as âncoRas dos séculos repoUsam -
o manto imaginaDo por Prometeu
eram o vinho e o pão debaiXo da pele

do profeta à salvo da mulher de Antélio -
a mesma - que noUtro pomo Encarnário
rasgou as roupas de José no Egito_________
dando inÍcio à prociSsão das vacas 

no sonHo do Raul-Faraó, e os ossos lá fora 
eram os restos das manhãs em Teerã-79,
que se acabavam em Deus e na matérIa
de milênios amasSaradOs no lagar das Uvas__________

parece(meu SenHor!) que me desdobRei, Assim
como um cristal ronrona todas as Cores.

Na casa feia(Soneto, n.325. À memória do grande Lamartine Babo)

A tarde lançA do cume Sísifo seus traques:
são dois, nÃo, dez cagalHões de granIto, gigantes,
e batem no cocurUto com tal veemência 
quE espanta os pianos e os fagOtes

ali pousados: saem furIosos, asSobiaNdo
o trerenzím do caipira num modo MônstRuro,
e na receita não faltam os guinchos da bruxa
de blair - na veRdade a velhíssima Moura Torta_________

o esbarRôndio cabrúcio que mora na casa 
mais FêÊêia da rua aruuma na cara
um chorambéU com Dó de tudo que a vida Madra
madrastamente - e Lampêira - lhe ofereceu:

sou EU, LamartinÊ, o moreno do rancho Fundo,
que nem viola teM mais, pra aceNar pra ela...

Janêro e os pé d'água maxixando(Soneto, n.324. Para o amigo e mestre Adeivan Ferreira)

Noite de chuuuva seTe dias de empÓs
a queima de fogo nas balsAs - aguanzÉu
cascalhando os traque' nos couro' Tudo,
e Longe o jongo-InfÂncia do teMpo.

Trovorões são cavalânIos aTômicos às escabrontas
no céu, a gente pensa nas tróias,
que oS anjos vão dar um troÇo - quizômboras
de belelÉu com trinta dias pra pagar_________

a tempestade iNunda a mantiqueira e os testículos,
apaga as suruCucús e maIs os picos de jacA:
ossanha vai no AchurÊio de que hoje é milhó
uns edredons com talagaRça de Pinga__________

o pasSaredo fuma uns trabuco', brinca de beriMbau
inté São Pedro lembrar que é Feio mijarar na cama.

domingo, 7 de janeiro de 2018

À gaivota(Soneto, n.323. Para Luciana Moraes)

À gaivota que passa: reabre, ó Cor d'asas
o tamparilho do poço outrora Açucarado 
no caos da Treva - aquece, desde Emaús
o coração numeroso. O mais

serão esporões que anjos-mórios
descartam nos Isolões de gramacho:
que aos teus espelhos nunca jamais faltem Olhos,
água a dessalgar edifícios_________

verás que o Tempo delas galeras
voltou sobre os esqueletícios
do elétrico mar
d'Horizontes________ reabre,

Impávea, ave-Altíssona
a Cor do vôo de tuas Asas.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Soneto todo Tronchê(n.322. Pra Luciana Moraes, e pra todos os bassets do mundéu)

Mundo abre às sete menos um quarto 
imensidããão de bocarra, estão lá as ruas,
com seus cataventos e moças espadanadas
às janelas_____gatas de agulha

e linha de coser 77. São nove em ponto,
o marechal aposentado vem pela rua
com seu cortejo de salsichas de quatro patas, as linguinhas
parecem pequenos jambos rubríssimos, 

e olha ali o funcionário idoso 
consertando 
um dos cataventos,
 muito educado

cumprimenta o marechal, as cinco salsichas, enquanto  sol
é  pinguela d'Apolo, no ramerrão dele dia.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Esboço em Carma e Carvão(Soneto, n.321. Para o amigo Adeivan Ferreira)

O fruto dos ingazêro' que de comê
dava aos pêxe amurtalhou-Se, morreu:
meus esperanto' d'Outrora que de bocarra escancária
olharava, na beira-rio____________

garibaldo não tem cavalo pra ir na missa,
terezinha do chão olha os três cavalêro', entre ela
e as mãos de soêrguio há mantiqueiras Intransponíveis,
lábios jacintos(de caxambus-Moimentos),

na barrancêra do rio se debruçaro os ingá'
e a correnteza embolorou meus ímpetos Tigrados,
cortineréus de mutuns
com sete flechas nos dentes____________

desconchavaaado este nêgo, esmaecendoSumindo
em brumas de sementúrias Roncôlhas(*).


(*)Gíria baiana, geralmente pejorativa, sobre homens cujos testículos 
só possuem um bago.