quarta-feira, 26 de julho de 2017

Soneto, n.261(Estudo em sol menor)

Do espólio achado em Qunram se descobre 
que haviam trevas sobre a face 
do Abismo, e que o homem sem Deus
é semente Encarcerada no vento________

no Cosme Velho inda marejam casões
onde há retratos do velho, suspenso ou não 
entreles dois acordes, diminutos Ambos -
espera-se, talvez, sobre meu rosto

um riso imenso, sonho d'Íris
de Ostinalícios delas torres derruídas
embora sambando à perna Grande,
que isso também indigestão não faz________

toda essa léria -autenticada e Tranchã -
achada no espólio de Qunram.

Soneto, n.260(Para Rafael Zacca)

Sempre que me alevanto
é como se retornasse: enguias falam
pelos roncúrios e os círios
dos ventos de agosto que passaram,

deixando brisas
pelos onguês das janelas - alembro
que fiz da indiferença bela Dádiva,
clareza do tino, Pétala

de bondes e árvores chusmados em poeira 
como a canela enlaça a pele dum churro:
portas à sotavento, e como os mártires -
querente da próxima Extinção à espreita_______

marulho os olhos submersos em Sono,
bolsos rotundos em pardais-vidrilhos...

Soneto, n.259

Dia. Manhecência brumosa
pela terra Inconha. Os passarins
bebem do céu granículas da garoa,
as solidões baqueiam-se Dentro,

mudam de cor, semafóreas. Os olhos 
já não são meus por Aqui - desespelhada
a sala do castelo - relincha o mar,
paredes enlouqueceram.

Ossos do sol andam à Bérra
valendo menos que o cruzado-novo,
bailão desvalido que descoroça árvores,
esgrouvinhantes ao perderem cabelo________

esta é a terra, tri-Mórtua:
vênias-Carnálias pro cavalo amarelo.

Soneto, n.258(Para Augusto Guimaraens Cavalcanti)

Aqui rondamos ela figueira estéril -
de empós o Hóspede manguar-lhe nas fuças
um só cartão Verermêlho: não mais buzinas
saracoteiam na avenida estiolada.

No céu tresmalham ranchos de nuvens
como ovelhas que não têm pastor:
um vento de estranhura e Nódoa
faz tropeçar a migração dos cavalos 

enquanto - bêbado - Tirésias-Cego perora
"como pode ser feliz o que não é morto??"
e seu reclame sobe num tatalo de unhas
os quase cem degraus do Selarón________

rio que já não suporta caixotes,
garrafas vazias, fósseis de cabeças de peixe.

Soneto, n.257

Eis aberto o portavão redondo,
de plínea maçaneta no meio:
doze cadeiras episcopais 
e a mesa com jabuticabas

pintadas de azul da prússia. Olho as paredes,
apagaram o quadro com os ramos
da hierarquia dos sopros, na gaiola
eis môrtuo o canário famoso por Sarambêr

de cor os cantochões-Serafins.
Chegaram tempos em que no saara
os camelôs são anjos desempregados -
(e temer AINDA no planalto...)_______

ê Despautério, 'ssa geléia geral
descarrou, Medusa pôs butuca por Tudo.

Soneto, n.256

Quem vai no Piauí catar deus na feira
pleroma-se de procissão 'garrafada -
e nem assim o jegue de oito milhões de km
desenconcreta...________

Inadiantam poemas pra lua
e não há mais violinos alheios
pra roubar, na praça são salvador.
Macaco Tião morreu

faz pra mais de vint'anos,
Geraldão Viramundo há cinquenta 
fala do boi Maléfio
da cara-preta do túnel fundo________

sem lampadosa nem Luz, e Piormente -
o temer inda tá no Planalto...

Soneto-Estudo(n.255. Lembrando "Composição", do Livro das Acontecências, em versão estendida)

Bem no jardim
da pensãozinha burguesa em Jacarepaguá
cinco da tarde. Eu penso blocos de turânio 
formando acordes entre vinte sóis,

entre espreguiças e chinelos gastos:
o gatim que ali faz pipi lorderêa
educação que adevogádju tem Não, -
Mesmo sainte dos encorômios da PUC

ou dos cantínfleos de Roma_________
por isso helena anda chorósoa,
e tumbéim sandra, ivênia, clara
madalena e TODAS - salomé Maiúscula________

eu lembro as naves, catedral Submersa,
mais o quengo do santo na bandeja de prata...