quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Soneto, n.518(São Mármaro pensando. Alto. Forma Paulo Henriques Britto, para Luciana Moraes)

Toda vez que a Suburbana atravesso -
na altura do Capão do Bispo 'inda escuto

os lunduRÚS dos escravos, transfigurÊncia
deles pretos que não se acabam de morrer 
porque nosso esquecimento não Deixa 

e os homens que 'traPÁlham o tráfego 
são guerniCÁS ambulantes com rosto 
e fíbulas DEScadeirados no meio das ruas
gritando de fumaceira e candongas_______

graças aos TRÊS que a Poesia sopra onde quer,
levando pássaros aos olhÓIS deles homens 
e sonhos que pianolam a Galope_________

dos pulsos deles-Poetas
pende a Argamassa do mundo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Soneto, n.517(Petit sermão de São Mármaro. Forma Paulo Henriques Britto. Para Caleb Baltazar)

Mundo treLÊNtchio, o nome que à Mesa pões
é catanDÚfio e veiÁCO, ébrio de Cinzas,

longe longe MUI Longe do retratim de mamãe
com um ano de idade. Olho pra Tudo,
e DES-vejo os Grão-braços da Estátua,

morro-Encó não tem Vez na cozinha 
e damos TCHAU pros batuques________
principal mandamento do Hóspede 
se despediu delas "chambres"

e das cabeças dos chefes, cantráárcias
de paralelepípedos derretiDILdos
e outros jardins Getsêmanis________

"Senhor eis meu quarto modéésto" - não será 
desculpa na gafieira do Juízo Final.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Soneto, n.516(Forma Paulo Henriques Britto)

O mundo que giroFLÊa Gere elas-Mortes 
que Nenhum templo virá salvar -

aeronauta a procurar suas ORÉÉsias
enquanto as alavancas dão guinadas 
como potro corcoveando falesiCÍdios

de lúcidas, InfÉrnitas arquiteturas:
ááái trabalho ÁÁspera vida padrasterNÍcia
onde os Quebrantos dÃo liçÕes de
má-Paternidade às coisas todas

e tudo é a morte que Existe NÉlas,
e a gente é mais nem-Isto de erexisTÊncia,
'inda Amarildo CONTINUUUA sumido________

ó Cristo da pedra Fria: homem começa de um Ovo
pra se acabar no TrevorRÔR de uma gaVÊta.

SonetoRÔnomo do tempo Findo(n.515, à memória de Antônio Conselheiro)

Abaixo dum céu de Cromo
aqui depomos o canto da cidade:
tiros sobre a criançalha e muscuLÊjos
dos anjos verdes do Mal

à solta no palácio Guanabara, é noite,
por tudo TUDO faz Noite_____ de pesadumbre
e mais de encÓs lacrimogêneos
por sobre os Ocres do homem,

silenciÊS dos tijolos, estrela Azul familiar
que na verdade são cavalos de Tróia
na solidão do livro dos Tempos: final
das carnes e das flores 'inda é o Mesmo,

timBRÊmbes Ásperos, último Olhááár
espiaÇÂndo o horizonte.

Soneto, n.514(Sobre autos de resistência)

CanTRÁrcias de paralelepípedos "Trucidos"
e muscuLÊjos dele horizonte azulejado 
com Sangue_______ mundo, como te chamas,
é o que perguntam meus lábios 

a cada novo EndroPÉrio onde crianças 
prosseguem levando tiros nas kombis
e morrendo em pleno colo de suas mães,
que nome - que não me Soe LEGIÃO -

podes depor à mesa, mundo??
Aqui chegamos: ela-puLÍça
e seus trezentos autos-de-resistência 
onde pra cada ofício cada josé

é um bandido Abatido______('inda morreram 
na contramÃO atrapalhando o Sábado).

domingo, 20 de outubro de 2019

Cantiga(Versão soneto, n.513. Forma Paulo Henriques Britto. Para Luciana Moraes)

Se pá, cipó____ ou nada disso e 
alumbre, de sorte Grande:

primeira ponte foi Ela menina 
que me azumbrÔ pelos Zóio
setembro Inteiro no primeiro dia - ela

moça no degrau mais alto do
escorregador dançava no meio dos ratos,
os queridos Ratos DiVersos a varejar por ali -
meninos perdidos dum peter pan

tão meniRÍna e tão moça -
Santo Antônio discursaRÂndo aos peixes 
seria alecrim mágico dela Folia

que a primavera abriu Cantando
em Meu peito: amor Invade, e Fim.