segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Soneto-Estudo(n.229)

Rabisco pela janela, aberta, braços em Sépia:
vejo corvos gigantes transfulgurados,
triangulares com o trigal embaixo, Pancararús
pela memória do quarto__________

no futuro um Verme roerá a morte,
chuva nos mocambos do Crato -
outros pássaros e losangos pelos lajedos
serão tangidos por miguilim

que na verdade é bisavô de meu filho,
mundo que se abre Novo,
novos cordões e bandeiras, os Três 
pra Sempre nelas Raízes do homem____________

que já não mais Nunca Mais
será cavalo do homem.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Junto à lápide dum alfaiate de Catende-PE(Soneto, n.228, com estrambote no terceiro quarteto. Pra solo de Fagote e quinteto de Pifes. Pro meu irmão Luis Felipe Leprevost)

O tempo rodorizou sua máquina 
de Foices. Somente avaro pra ti
nos Esperantos(quaisqueres), e O Trajo
ficando sempre por fazer.

Mas seguraste a Paisagem nos dedos,
(dedos) que herdaste de teu pai
e cujo orôzco vige Retilinências
atééé os cristãos-novos Expulsos:

dizer também que ele-Tempo
(ou sua magreza Extrêmeris)
jamais grandes giros no espaço.
Muuuitas as vezes que viste AFÁSICA
a viola das panelas de feijão_________

PAZ a ti no teu Osso, Irmão -
distante das erínias todas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Erexumando ele Losango Cáqui(Soneto, n.227. À memória de Mário de Andrade. Pro amigo e mestre Alberto Pucheu)

Trançura
nos horizonte' montado a cavalo:
as nuve - butuca abaixo
na minina magriça

que sobe à frente da vó, velha nastácia
a milinguir morro Acima
um rouparéu bem no quengo
com lenço

rubro. A neta, toda cantária -
"trali-laralááá trali-lááá
trali-laraiááá" -
num repente se alembra

da vó que Trupica atrás:
"qué mi dá, vóóó?" - "Nãããão..."

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Embalarê(Soneto, n.226. Para Luciana)

Embalarê dela praça:
água canta na fonte 
(pudicamente), mijada
por meninote de bronze. Você Posseira,

aqui DENTRO: teu corpo segue (tão) branco,
pontereios de lua - sobre palavra e dança.
Dias que mudam o tom: iremos 
cantarandando, acumulando paisagens___________

Munderéu parece ter nascido Agora,
pleno de ares que tomam banho
e casas vestindo Amarelo - você sorri girassóis,
desmancha a sombra das estátuas__________

nas cinco salas da gente
Os Três andam plantaaaaando Sêmpreres.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Esboço à mó-Carvoíce(Versão soneto, n.225. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

A vida-mona anforizou-se em plástico,
mornidões sépias de
antofagastas Falsêlhas, corredorões
ver gigantescas asas Inúteis__________

não há pelos rascunhos em papel vergê
esboço de janela ou porta, e nele porto
o meio-pau é a língua das bandeiras,
porque chegaram do mar Alto as naus,

trazendo as sete princesas que morreram -
regatas de luar não se correram 
(na catedral sussurros de orações...),
eu vi Fugício todo sol nas tardes________

evanescente
qualquer ebó de ver-Norte...

A Casa em Jacarepaguá(Versão soneto, n.224)

A casa em Jacarepaguá
Recende a mato, e Cansaço.
Bulbos de centaurodontes fornalheirentos
junto das órbitas dos olhos.

No mar tempéstuo do acorde si bemol maior
as criaturas sem Dorso avançam pelo
meu cérebro, estrada pós -Lumiar,
terras sobre oceanos Desertos.

Os signos são touro sem terno Pronto,
e a mãe vaga com seus choros Órfãos 
no despautério da velha e baça lanterna,
a esfregarar nos focinhos a tal casa,

em Jacarepaguá: que Fede a mato,
e mór-Cansaço de Tudo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Soneto, n.223(Para Luciana)

Bem nas cacundas do quintal grande 
soturno edifício Fandanga: acaborou-se
a vista Inteira pro mar, cidade aperta uns ilhós
no cinturão de Concreto__________

montuê de porta-aviões pelas artérias,
relojeco faz pouco amunhecou dez horas,
o fantasma do inspetor de quarteirão 
sopra um maxixe no apito:

"Aléééém da Treva olha a chuva, enferrujando 
mandinga que já foi Possível,
que hoje a festa é dos Cornegurundos
querendo muro do México a Nova Iguaçu__________

Tranquêra, viu??? 'sses peidorões do Capeta,
parindo intões Cabamundo!!"

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Polichinélia, n.1(Versão soneto, n. 222. Pra Luciana)

A serra do rio do rastro fica lambaixo, 
no Sul. Eu nunca fui, mas nem por isso
dou pé lampeiro
pra rabo de poraquê__________

inda é preciso Nascer
pro Rosto das manhãs de neblina...
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O mar a flor as cores todas da lua
bem cabem num almanaque rebolado,

enquanto eu cismo
nas construções dele Tempo
e engulo ostras
em grupelhos de Vinte_________

novo Espírito suspende a lampadosa do Encanto 
pra Gáudio dos terraços sobre Oceanos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Roca da Agulha Márfara(Soneto, n. 221. Pro Hugo Stutz)

Eu sou triste como o prédio menezes-côrtes,
ambrósio de viuvez esfumaçada,
um coro louco de coiotes Cúbicos
pra sempre Noivos da minh'alma nua...

Lá fora chove e são isótopos órfãos 
que acabaram de chegar d'Antanho,
a Casa Kosmos persiriste no adágio
de não ter impermeáveis em liquidação___________

saber que o Inventor das Maquícias
são Três e ao mesmo tempo Unonítono
faz fuzuê nos macaquins cá de-Dentro,
na penumbra dum quarto entre mil Sonos:

sou todos os homens Estendidos na mesa,
de roupa preta pra grão-Descer nos Infernos.

Quermesse(Soneto, n. 220. Para a querida amiga Tatiana Pequeno)

Quermesse: tropel de louça quebrada,
os vãos bracinhos a pedinchar automóveis,
enquanto - cérbera - malvada bruxa
amontoa num palco os corpos nus_________

são Ningueréns. Ou melhor, foram,
cubistamente Distronchos desque vieram,
não consultados, em grupos de mais de cem(surripiados
no desembarque de quaisquer direitos ao Sol)

e assim crescêro até virarem mulheres
de couro sépia em fundo sangue-Merdoso,
parindo bácuros(não consultados também) 
de cor verdêje-Morrente, culpa da bruxa_________

que tem coturno e nome(TÔRVO) de hômi,
Gentileza falou dele nos pilastrérios: CAPETALISMO.

Rodopiaréu em forma d'Antífona pro dia de Reis(Versão soneto, n. 219, para Luciana Moraes)

Penico que se Prereze
também fossilha e cabunga,
à solta na grande escadaria,
enquanto o vento varre as sépias Folhudas

e grãs-cortinas e Chincalhões nos retratos
cozidos ao paredê desque foi Fico
aquele dia janeiro no paço dobre
dantanho___________

ainda é verão deste lado,
maculelê no Intó palácio dos pássaros
tirado aquele assassinado pela flecha-de-fogo
(e a gente Reza pra não ser o Uirapuru)___________

os muros ardem num sol Munguélo enquanto engolem
crianças Órforas deste país Golpeado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Oração de Ano-Novo de São Mármaro(Soneto, n. 218, para Luciana Moraes)

Pai da Eternidade: é Vívido
que há muito aturas estes meus ossos,
esta caveira enferrujada e trôpega, abôio
de chuvêra braba, daquelas de rola-morro.

Procuro ainda o cerne de um Tudo
que me leve aos jiriraus de mim-Mesmo,
enquanto o resto dos sacis filhotes
avança sobre camelôs(tão Rocinantes!!)

nos pés de chumbo da serra, e as árvores 
olharam todas pro mesmo lado que a
estátua de sal olhou, no Chile de Allende
em 73, vaso chinês imoverente, mar Morto__________

Senhor! Fazei que eu seja um soproréu Contínuum
nos haustos Roxos que mais sacudam cacundas!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Interlúniuns(Soneto, n. 217. À memória dele Mário de Sá-Carneiro. Para Luciana Moraes)

Tacitúrnico nos interlúniuns
o reresgate foi vislumbrê Distancítio:
apoteose de falso rubro em melodia dôbrea,
sem mais tangências de amanás e Crisantes_________

os meus sentidos rugiram mastros
quebrados, sonhões de Íris postos longe da
praia - a grande taça de cristal e espanto 
rangeu falsêlhas de ouro Grogue, Avalâncheo:

não fui nem rei nem manto-de-Astro nascente,
e mágoa-Azul foi todo o sol que trancei
num prequetéu de sombras jaspe e Outubras,
e mais cibórios de braçaduras Partidas__________

a última ilusão foi Mesmo a fuga d'espelhos,
insônia Roxa deserterária, não Lúnia.

Salviçorôntio(Versão soneto, n. 216)

Salviçorôntio de mais um dia abro nos horizontes
o antigo Livro dos Mundos:
os Doze - antigamente Chamados -
são gigantescas estátuas por onde o Vento

faz tilintar as chávenas de chá,
e a fumaça das chaminés de Bangu.
Acendo velas sob o rosto do Zygmunt,
morro uns tantos de japorés-Parecis.

Apolo vai se deitando - procusto -
no quarto, amásio duns Quintos
já no cangote dos homens,
assassinos do Hóspede__________

Verejo aranhas na profusão dos Espelhos,
seus bordados são atomízios Famintos.