sábado, 31 de agosto de 2019

Soneto, n.510(Forma 4/8/2. À memória de Geraldo Viramundo. Visagem de São Mármaro num seis de janeiro. Para Caleb Baltazar)

É como se eu fosse graande
entre as ladeiras de Ouro Preto,
candelabros FulgisSem em meio às
nuvens e no campo santo da igreja 

andaroLÁsse um presépio mesmo entre 
as lápides do neto e do avô, a solfejar
o minueto do boi. Por cima ela-Matriz
a impÁR respeito aos vivos e aos mortos
(matriz cujo OganZÃ tem raízes 
até nela Ilha de Páscoa)______ ofício 
no altar Terrestre onde os poetas e os doidos 
dão-SE os PÉS, eu fosse grande,  a próópria

incarnesCÊncia da Folia, e o Canto
fosse AndÔr, em Lá Maior.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Ele-Tempo(Soneto, n.509, forma 4/8/2)

Ninguém se engane, que o Tempo -
cavalo solto em 'rastaPÉ urÚbuo -
anda cigano entre as gentes
des-rebitando holofotes:

pontos Finais que eram vÍrgulas
e mais bagaÇas que ele-Sonho ArriMÊA.
Não dá - nem ganja nem léria -
quando el' Hora abre a boCÁrra 
os reloJÕES trazem sátiros
que vêm prestos apagar a lÂmpada -
os ombros peito e baRÁços
do cântaro de prata junto à Fonte________

morte é como um chaPÉU
que o Tempo leva pela mão EmbÓÓra...

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Soneto, n.508(Forma 4/8/2)

A soma do quadrado dos catetos é Igual ao
Menezes-Côrtes de boca Aberta
cramPÂno as últimas árvores,
Jogâno' fora os ossinhos______

na rua BariRÍ o campeão brasileiro
de futebol da Série C em 1981
assiste à procissão de finados -
o Roxo como fragrância Majórita. O Semeador
aponta nos meniNINS carvoÊros os
náufragos do poder pÚblico, escândalo para
os judeus, loucura para os Etruscos(deixaram
seu Pasmo impresso nos Vasos)__________

os novos coronÉIS caem da escadaria do 'Theatro'
(cheio de obturaçÕES).



terça-feira, 20 de agosto de 2019

Petit sermão de São Mármaro(Soneto, n.507, forma Paulo Henriques Britto)

Tentei
tromboroVÉrsias e sóis:

mas só me ouviram as palavras,
ziriguiduns e as águias no mei' do céu
contando as horas pro Fim.

Malês de outrora andam rondando os quintais,
virÃO como o ladrÃO de noite 
que não carece ter cavalo de bronze 
pra debulhar os países

e ainda tocar num fagote a prÓxima atração 
que surgirá delas nuvens: o Cristo,
a tempo mesmo de evitar que o José

se afogue no lamaçal: pajelança
dum mundo Novo a caminho.

EpifanÁcia n.1(Soneto, n.506, forma Paulo Henriques Britto)

Memória do que sejam Cores
repinicando luz Sonoramente a

andarilhar nas janelas
abastecidas por sÓis:
aurora um DIA

em meus jardins certamente______ Gira
de chuva-Madre que abre os braços  Amiga
e pontes mais Encantárias trovejem 
se destampando em canhamboras

que existem para assistir 
ao nascimento da Poesia
nas profunduras dos primeiros Três________

no limiar das Esferas se Encontre o caminho 
pra Todos os filhos pródigos.

Soneto, n.505(Pro amigo Daniel Ribas. Forma Paulo Henriques Britto)

DomingORÔ dia dos pais em Bangu,
manhãÇAria em

pelancas GrÓssas de altares, oficiÊS:
os bois hoMÍnidas seguem comendo espingardas e
soltando fumos num MisturÊ

de muitas lÂmpadas de escuridão CrasseÚda,
jaqueline sepulta mais bonitona que os anjos,
mandingas de nazarÉS
e XerÉns no arroto do Instante:

meus sete erÊs-Cardeais 
marcando as horas em que meu RÔsto aparece
no Espelho de IndigeNÍssimas vertentes______

céu de Quases me Existe em desenRÊdos...
cardinaLÍcios, ponta-Areia sem Trem.

Soneto, n.504(Forma Paulo Henriques Britto)

Instantes de uns olhos-Púrpura
num tempo em que elas noites 

nem tudo Anoiteciam: havia no suBÚRbio
o respirããão da Portela trazendo pro carnaval 
ventácias de Modernuras_______

ainda no tempo em que o
retrato do Velho fazia todo mundo 
trabalhar direitinho_____ isso PRURque serafins 
jogavam no bicho em Bangu. Mas hoje 

andam Espaços no lado esquerdo 
e eu nunca mais fui a Escola,
sol de quase dezembro Sumiu por Tudo,

faz Nuvem, groSSa de raios:
já não direi Passarim.

DomingoRÔ(Soneto, n.503. À memória de Ana Cristina Cesar. Para Jéssica Campos)

Domingo público na praça grande,
manhã faz pouco tirou pijama,
velho Ferges pensando a vida
no banco de sorriso verde

('manhou farranCHÊs de ração para o 
rebanho de tubas 'inda escurÉU marfanhÁVA,
ouvindo ali dos gaLHÉus
o conta-gotas dos pássaros)________

na praça ambulam carrinhos chineses 
com bebês arquivados dentro - velho Ferges
olha compriiido neles, o pensamento 
amarroando cinZÁlias_______

"eles-Tudo têm Sorte, não viram zé-bolsonaro
e as Trééévas nas salas do hhomem".

Soneto em Lá Menor(n.502, para Luciana Moraes. Forma Paulo Henriques Britto)

Manhãçaria que em nÉvoas sobe o
tÚnel do sono: Alma esgadanhada

desCÁsca um sabão e num repente 
todas as trompas são liLÁs, dia
é Bem criança que nos Veste

a própria alm'IntÊra - isso desque os andaimes do
mundo não tinham olhos 
pra fazer a barba, roXÚndos Ipês
brotavam das axilas_______

depois mais faMÍlias bebendo chás
em xícaras jabaQUÉras, Norte lá fora 
move entranhas de florÁcias de arroz______

em cada rio um deus espera
pra nos  Conhecer.

Café no Paço em soneto(Soneto, n.501, com pitada de Manuel Bandeira. Forma Paulo Henriques Britto)

Caraça do Paço à tarde sem
farrancho de chuva_______ jaz aqui

um dos lenhos onde Brasil foi PAÍS 
de qualquer maneira à Vera: digam
ao povo que Fico.

Na mesa onde ponteio um café 
se ouve perto algum garrancho de 
som, quarteto de cordas,
talvez Beethoven______ há

gravidááde em meio aos fogos d'artifício,
mas troppo dolce
tipo ela flauta 

que o grilo do Manuel
queria tocar NÃO.(*)


(*)Poema "O Grilo".

Soneto, n.500(Forma Paulo Henriques Britto)

A torre do templo era desfôlhe, parede
sem quadro à Mostra:

montragem de mar Inteiro
armando as sete taças da Ira,
malasombrança de samba em dez pontos

'travessado por Faca_______ e o Rór de sangue
pÔs multidões na barca de Caronte,
porque não há mais íris, nem girassóis,
nem tempo_______

serafins choram lágrimas grossas
sobre o retrato do Velho, suspenso
entre dois acordes - riso à la dentes

reRÊquentados, banzantiNÁlia Cracuda
no sol de quase dezembro.

SonetinhoRÔso, Três(Soneto n.499, forma Paulo Henriques Britto)

Porque Paris valia bem uma missa
o rei protestante Peidou, e o sol

perdeu novamente as asas. A história 
é gorda em rocamboles desta Monta, 
céu de nuvens Rombudas:

mais de urubus-Canhambora
cortando em mil as horas tempoRÃS,
incêndios com lâminas Plenas,
cabou XerÉm que foi doce,

socavÕES são invernadas sem porta,
era dezembro e inda Amarildo não Pôde
ter sepultura_______

porque Paris vaale bem uma missa:
nunca se enterre Amarildo.

Soneto, n.498

Mais hoje mais amanhã 
virão luzeiros que acenderÃO CataprÚs
pelas asas dos pássaros,
na espuma dos oceanos.

A história - louca pra Julgar os homens -
vai sacudir os armários 
onde são Tantos os mortos,
vejo também tresandantes

águias sobre os últimos relógios,
vão pra perto do sol, perdem as asas
e se transformam: trombones-Machos 
a sacudir andaimes do próprio Céu__________

mais hoje, mais amanhã: demora, mas
se iludam NÃO_____ Caba-Mundo TAÍ.

Soneto, n.497

No antigo horto uma mesa,
e três mulheres em pedra.
Procuro um rosto, e do esperanto
há doze espelhos Possíveis________

mas era outra repartição que funcionava 
ali, berço do Samba - e da macumba
também, já que em Bahia ela poLÍcia
baixava esbregues, sarrafos

porque Paris bem Valia uma missa.
Há doze espelhos possÍveis e neles quero
ver de novo os cavalanos Azuis
migrando pelos paÍses todos______

onde Emaús se levante, as
asas Novas em folha.

Soneto delas galÁXIAS(n.496)

Em meu princÍpio está meu Fim,
sei disso antes dos quartetos de cordas 
do Villa-Lobos gritarem pra MIM,
tuHÚS com bolas de gude_______

mais hoje mais amanhã gente Aprende
palavras que brilham no Escuro,
o rádio mostrando a mesa,
a mesma onde por mortos

deram Aslam e o Hóspede, isso SIM
um engaNÃO dos capetas_____
coração Numeroso anda em Silêncio 
sobre tantas galáxias_______

visto os Outonos?
Em Cristo.

Soneto, n.495

Os elefantes eram pernas Imensas
sobre jardins de pianos.
Meu padim Ciço chamou mais sete,
seca fugiu gritando_________

das nuvens nascem peixeiras, zabumbas
bois faladores do espaço, sonatas
em tom Maior para flauta
sanfona-Odara e fagote.

Espero um sopro do Hóspede
antes do último Pássaro, mar depois
cobre esTÁtuas de pedra e a ilha
das tartarugas Gigantes________

sobre jardins de pianos, os elefantes 
tendo pernas Imensas.

Soneto, n.494

Por onde livros não falam
das guilhotinas da noite 
diversas musas sobressalentes
saem pela rua,

se derretendo à plena luz
do sábado que não vestiu CajuÍna, 
nem viu as flores correndo
brancas brancas de Susto_______

o samba que vei' depois
fez requebrar as sereias da marina da glória,
mar que não mais cantÊA
nela lÍngua do Pê_________

então os Três tocam FOGO
nos vestiLHões dele-Mundo.

Soneto, n.493

Há muito que os probleMÕES dele-Mundo
eram as ancas da morena
descatembraaando a avenida_______
demônios grandes e Ocres saltaram

os mourÕes do espelho: o Sexto anjo
jogou aos ares sua taça_______
no corcovado ela-Estátua tapou nariz,
depois sumiu, montada

em porco gigante. A musa descabelada 
sai toda em cubos gritando à solta,
olhei - eis cadeados nos ouvidos Todos,
candÕes que os homens deixaram

de por lá nos manuais______é Tarde,
o FIM gadanha a estrada das Paineiras.

Soneto, n.492

Ai dos que vendem meu povo 
por dez barris de petróleo - diz ela Antiga 
mandala, plena do Sopro
dos Três Primeiros, antes do fogo, antes 

do Prometeu e sua orquestra de Universos.
Antes do simples canalha assassinar um rei
na Nova York, mês dezembrÁrio, EscurÔso - 
a paciência do Senhor 

é FINDA_______ sÚbito um corpo
se estende no chão, não é ela-Elisa Samúdio
nem o pobre Amarildo, os Pântanos
cada mÊs mais crescem nas almas________

com Jão Grilo de estenÓgrafo
ê VÉÉÉM Juízo Final.

Soneto, n.491

Já houve um Paraguai
que pertenceu ao meu avô. As noites 
eram brancas de Susto e os índios mortos
dormiam atrás das cortinas_________

era o princípio de novembro 
e lá das vizinhanças de Patmos
ela-Memória imperava, salgando em postas
o fim do Mundo________

mãe, irmà e o espÍrito do rio 
porque mais asas se esqueceram de voar 
e há Serafins que Adorariam trucidar
ESTE presidente da RÉ-pública________

à beira do Abismo doze cestos de pÃes,
o nÚmero do quarto é 101.

SonetinhoRÔso dois(n.490, forma Paulo Henriques Britto.)

Aprenda a engatinhar, hÔmi-Feito - grita
o meu peixe de aquÁrio,

e que meus rogos te Alcancem,
clamo ao Senhor - desde as profÚÚndas
desta neblina ArraNHÊnta.

No meu cuRRículo está escrito 
que meu anjo da guarda ficou preso 
muitos anos, enquanto um regime de Exceção 
disconchavÁÁva o país. NinguÉm mais há

que distrAÍdo sopre na vidraça 
pra desenhar com o dedo um Sorriso,
não há mais disso em praça,

e nem à venda na casa Kosmos
(palmas d'Aço que ele-Planalto VUMÍÍTA).

Soneto ao Mário(n.489, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

Revóólveres! Manhãs de armas!
Vitrais e deuses!______ deixei 

a alma em sÚÚmbras dele outro 
mundo(não Ouvi quão insolÚÚveis me Foram
aqueles solos de ocarina...)________

Sagres tornadas em vagalhÕEs Enforcados,
pedras com olhos de novilho, e
muRÚÚltidões 'creditando
que o homem desceu na Lua,

canção de Inverno, poema
descadeirÔSO. Ninguém ousando um café, um
acorde perfeito-maior, ninguÉm

chamando o anjo da guarda 
prUmas cervejas. NinguÉm.

SonetinhoRÔso(Soneto, n.488, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Leevi Madetoja, compositor finlandês do séc. XX)

Louvado seja esse puçá catifundo,
beleLÉUS vertendo 'Rrebites

por entre sons de trombeta:
almas descaraLHÚdas passam rodando 
seus rastamundos plenos de criançÁLHA

sorridente feia e morta nos joelhos,
tarde já madurou
e um terço do mar já não existe,
serpente que já foi de pano

numa classe de escola bíblica
na igreja-Velha em Bangu_________antes
de matarem John Lennon

e multidões 'creditarem
que o homem desceu na Lua.

Soneto, n.487

As sete taças da Ira vestidas
em mãos de ibÓs curimÃs
são álbuns  Nus de retratos,
relho Enorme

na mão do grande Dragão.
Chegamos ao reino das chuvas Ácidas
em que homens pÕem fogo às nuvens,
abriu-se o livro dos Dias:

mulheres Arrancam minotauros dos seios,
na esquina um garrucho fardado
prega cartazes pedindo escusas pelo
transtorno, é pelo beeem do zé-povo________

as sete taças da Ira
já deram o pontaPÉ inicial.

Soneto do Semeador Ausente(n.486, forma Paulo Henriques Britto)

Irene boa, Irene prÊta, Irene
sempre de bom humor__________

e nos entanTÉUs desses gruVÊRnos
que evaporÁro Amarildo
foi Vítima

dessa puLÍça mais caveirÚda
cada verão que passa - tiro no quengo
e pelas costas______ homens de fato
com mais Carburadores no sangue,

noite sem chapéu e Lua,
gavetas-Séculos dum trem
que deixa Órfãos moças e quintais_________

eresperanças dum floriléu que
o Semeador já não caBRinca Mais.

domingo, 18 de agosto de 2019

PaisÁÁrge, com jesebÚrdios, n.2(Soneto, n.485, forma Paulo Henriques Britto)

Nu saí do ventre de minha mãe,
e as elocuÇÕes marrons vieram 

dispÔIS. Isso em combinação 
com o céu e os peixes. Ouvir 
a pátria poBRinha clamando junta

por um Louco e este mÔNdrio estar agora 
com a faixa da república dentro do CÚ
em NADA ajuda o jardim onde as
melhores frases de minha mãe viraram

FLORES, palavra, eu Teemo por ele,
com tanto merd'oliva tÓxico no cÉu
por Tudo... a casa, assim como a Tartária

é Velha de arritmias e macaCÔas peladas,
noite é MEESMO sem conhaque e Lua.

PaisÁÁrge, com jesebÚrdios(Soneto, n.484, forma 4/8/2. Para Caleb Baltazar)

Ah, os hÔmi... passam 'charcados,
pluriembebidos em SI, mas seus ombrÔS
são todo um poste de Mar e
almas vestidas em SAL_________

ilhargamaSSa  que É
conversa pra boi DRUmí, janela 
para a qual se fecham dez sóis,
turturuVÊio dos capetas. 
Eis a verdade: soldado cujos costados
jazendo mortos e Arrefecendo no campo 
("está Boa a cigarreira, ele é que já não Serve"):
é verso que não mais corre com sete PÉS...

______todo este ombro
é Nenhum.

SonetoroRÓ(soneto, n.483)

Aqui onde elas traças sobem à mesa
itabirana é a Certeza quando se olha 
o quadro ranhurando a parede: DÓI,
que é barbaridade________

Brasília agita os calÇÂmes dum forroBÓ
onde as Cucuias de nóis todos dão-SE os pés,
o pobre - tengo lengo tengo lengo -
já NÃO mais anda de avião  e nem

tem Nove Dedos no Alvorada...
pararam as obras da matriz 
e os pareDÊS sem vitrais são nossos 
rostos de Onde se 'rancaram as janelas_______

ele Amarildo não tem mais corpo, engavetaram
seu Nome - Eli LÂÂma sabacTÂni...

sábado, 17 de agosto de 2019

"É NÔÔÔITE"(Soneto, n.482, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Dorival Caymmi)

A noite pôs dentadura e tuPÉte
pra fora, sem chapeLÉU e sem lua

que, dispensada do Ofício ia bêbada
na condução, de misturÉBA com pernas,
um monte delas vestindo carcaCÊ

merd'oliva, num jeito que se Drummond Visse
também não teria A solução 
(nos estÁdios há Risco de os quero-queros
levarem tiro nas fuças________

São Paulo não reconheceria neste araPÔngueo
carburatÓrio a antiga lÍngua dos homÊIns)
mais do que antes formigas carRÉgam unhas,

estrada pro: BelelÉÉÉu________ ê lambaÊê
lamBÁio, ê lamBA - ÊÊ lambaaio...

SoneteRÊto(Soneto, n.481, forma Paulo Henriques Britto)

Então um mundo - onde os bebês
hoje guardados em carRÍNS germânicos

ficarão Surdos e isso beeem antes
de poderem ouvir o Guarani_______
todos os eixos, esqueçam Agora

o claraRÃO da lua sugerindo uns pifas,
mundo 'caba amanhã quando O Relógio
desesperado coaxar como os sapos
e gastar o tempo do acrÉScimo

pensando um verso que não Virá,
tijolo água andarÂIme cimento
homens seguem trabalhando trabalhando

trabalhando_______ Planalto gueDÊia o bedelho:
"Previdência é Igual boi Morto na enchente.

Mais estudo de Corvos(Soneto, n.480. À memória de Mário de Sá-Carneiro. Forma 4/8/2)

...e desde há-Muito se acabaram os
homens______ procuro um rosto
em meio à Farsa do guarda-roupa,
já não Cabe dar o batismo às flores -

irÃo pagÃS como senZÊros RÚins
servir de arauto ao FIM de todas as coisas,
vejo terraços onde aos livros se Arrancaram
as LÍNGUAS, há nuvens GrÃnhas VREmêias
que nem zeBÚ que vai dar Marrada,
mar é Tudo que não sinto mais
e que Anoitece como o Mário no poema
"Torniquete"________ folgadamente

descomeDÊja um boi-Morto, sou EU, pendente
desde o pesCÔço, num perrrneRÊ de ceroula.

SonetoRÓ(Soneto, n.479, forma Paulo Henriques Britto)

No Méier de onde saÍ uns TabeÓcios
achavam que bastááva nascer_________

engano, mais Ledo e profundorÔso,
nos horizontes faltavam há muito
os anjos de calça larga e gravata

ainda com paciência pra ensinar o jazz
num mundoÊ cada vez com menor número
de pessoas-AVES, não há Seu Jorge da CapadÓcia
que Reescreva o milagre dos peixes

nos farraPÓS amerÍndios. A tarde
avÔa pro seu Fim, não há mais Carne
no calçamento das gentes, são mesmo enXÂme

de NÃO-pessoas MALancÚdas_______ só
resta ao coração numeroso andar SILÊNCIO.

Soneto, n.478(Forma Paulo Henriques Britto)

CreuzeBÚs cardinÁlios que não têm graça,
NENHUMA______ 'sse futuro que - Avaro -

pelas janelas avança qual bailarino
que não sentiu na prÓxima Dança
a queda SEM rede à espreita,

não há manhã sob este sol MunGUÉlo,
a gente reza para ouvir o Uirapuru
como se o lago 'inda coubesse na sala,
as poças continuam nos pÉs mesmo

com as fugas de Azul pelos telhados,
pÁssaros que(sem sentidos) funcionam
como relÓgios com menos cabides,

muros que Ardem com chama antiga,
fuTÚÚNS de faca - amoladíSSima, Insone.

Soneto do vento e da minha vida(Soneto, n.477. À memória de Manuel Bandeira. Dedicado a Henrique João Stutz)

        "O vento varria as folhas..."(Manuel Bandeira) 

O vento varre as sépias folhudas
ainda à solta nela grande Escadaria -
Moisés no cume em Pisga abraça a
terra com os Olhos, 'inda é verão

DESTE lado e no palácio dos pássaros
o vento varre as folhas e a minha
vida, em Laranjeiras NÃO mais
rosto de cinquenta primaveras,

poucos se Tocam - perderam o
milagre_____ ternura é incêndio nele
vão das Agulhas, vão Botocudas as Dores
dum império que as Brumas raaasgam nos dentes________

achar cavalos marinhos na praia(*) em NADA
irá salvar a geração que aSSassSSinou Marielle...



(*)Consultar "Vento no Litoral", da Legião Urbana.

PaiSÁrge em brÊu de soneto(Soneto, n.476)

Caminhando contra ele-Vento
vej'onças pardas à escuridão do
mei'dia... no porto bulhes de adeuses,
lenços, tchauzinhos________

na igreja a Górnia cÂnta os tijolos,
pÚlpitos perdÊram FÔrma
da litania dos perdões... pois amanhã 
um SOCO trará segunda feira 

já previamente morta com Farofa...
a casa Kosmos segue viagem 
em cardinales buNÍtas, caRÁs
presidÊNtes...____________

e tarde a  tarde os canaviÁIS
que não VÓltam...

Soneto, n.475

Esquinas, circunsCRESCÊnticas
assistem ônibus fechando os botecos
nascidos em subúrbios nos melhores 
dias, ela-Vida

zanza nas alergias, se apequeNÉRA
em velhas passeando totÓs pelas ruaÇas,
cartas da paciência espadanadas
na pequerrucha cozinha________

lá - como de resto nos outros cÔmodos -
lá não tem claro/escuro MAIS, desQUÊ
phalSÁrios com bÍblias cagÁram nos arco-Íris
e no planÁLto o cap(e)tão rola-BÓsta

tomou de aSSalto o Alvorada: cavalos Vermelhos
circunsCRESCÊndo ellas caLLes con Sangre.

Soneto, n.474(forma Paulo Henriques Britto)

A máquina do mundo Chegou no vento
sem emitir um som que fosse Náufrago:

mÊs Nasceu na cidadela de SusÃ
com número Absurdo de abutres,
rrrádio traz mais chifres em cabeCÊS

de cavalo contra a vileÂnça dos carros,
noite come os subúrbios onde mais gente 
dorme com fome e os livros não trocam 
dentição______ lá do Planalto 

se dinamitam as universidades 
com Bs-29 transjunCÂndo de corpos
a barca-Mor de Caronte, num tem mais Síndico

pra gente pedir socorro: mataaaaram grã-Mariele
(e naquela noite 'inda Amarildo INSEPULTO).

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Ombrélias chamaNANdo os Fogos(Soneto, n.473, forma 4/8/2, à memória de Maiakovski)

"Não há futuro pras jaquelines sepultas
dos ribeiRÍns" - dizia a malta
que 'inda pisava as florÊncias
com mais Tutano, e canhoLÊS e tropas________

o "Tempo" do Walter Franco - tiquetaque bem
depressa - andou com pernas e SARRAFAÇAIS
quilomeTRÊNIOS direção dos Quintos,
chegou no vento outubro vinte e oito
e estes olhos viram joÕES tranqueRÚdos
irem cantaaando pro Alçapão - os próprios bois
pasmando em Ver como a fazenda-modelo
erige pra dona Morte erês festins e reizados_______

quem tem ouvidos favor criar na cara Vergonha,
de outubro ACÁ mais Amarildos Sumiram.

Soneto, n.472(Para a amiga Tatiana Pequeno. Forma Paulo Henriques Britto)

Há reticências que falam por SI:
Perdi fla X flus, e a esperançália(Marina)

no itoroRÓ não achei. Ilê-ficheiro
de enferrujar-se no charco a própria 
chuva, por cima os flautins

SUMIRAM da gaveta dos anjos, meu
lado esquerdo anda Espaço, a piramBÊra
à mostra como zepelins trazendo a GenÍ
mais coronéis sacruleJÂno' as giromba'...

há reticências que por si discursam
com voz de maracaNÃS______ boi morto
esse terceiro dia de páscoa aos homens

de boa vontade... onde cabia Deus folgadamente
os mesmos homens aSSorearam grãs-Mortes.

Soneto, n.471(Forma Paulo Henriques Britto)

Olhei paredes e escadarices:
um cristo Falso dos mares

entronqueRÁva por tudo ranCÂNdo os couro'
das portas e salas do homem, mãos ao 
trabalho, espÍritos - continuai a azaFÁRnea

de pôr gradeiros nas janelas das almas,
o Semeador Inda sai
mas paciência dos Três tá bem chegando
nos limites do pote, intÃo dispois

não adianta parar aTÔnito
em frente à grande escadaria:
bolsonaro está no Planalto, Serafins

indiferentes virão fechar em Bronze Eterno 
todas as Portas: rancharééÉÉu dos Infernos.

Soneto, n.470(Forma 4/8/2)

CeremitÉrios andam redôntchos,
de tão mas TÃO gordos: até da tabacaria 
brotam zebus pra barca dele Caronte,
coitado, agora sem folga, ou céu.

As crinas e o estandarte azul
viraram Grita dos horizontes em pêlo,
artesanato infinito e mais burumbás,
mais lunários de Momo. A banda nunca 
mais Voz - o Deus-minino precisa ouvir cantar
o minueto do boi, pra que os beatos santÊros
possam botar de-comer na boca dos filhos-árvores,
quero ir contigo, pequena, onde o mar InfinitÊie_________

isso apesar de ermitões, cemitérios, carontes:
Vamos fugir sobre cavalos marinhos.

Soneto, n.469

Os homens seguem obrigando as plantas 
a mudar as camisas, globo de fogo 
sem cão nem deus, sem sopro de Voz 
a lembrar que se tire ela Pedra,

a fim de que da caverna 
o pássaro Saia, tangendo música 
e adornos de Lanças sobre teu dorso, 
teus seios, teus bandolins.

Os homens seguem soltando fogos 
sobre meninos ossudos, cada mangueira 
agora pode esconder um atirador da polícia,
nós voltamos ao tempo dos galeões Digeridos________

servindo de minueto na escada dos Séculos,
bicho nervoso, ele-BOI: descomedido na Enchente.

Soneto, n.468

Um dia foram borboletas 
que de bicicleta saíram pelas janelas
do homem: anjos cubistas tocaram Schubert 
na praça, num repente 

era o Princípio, a Palavra: os Três 
levantam das cavernidades um cós de Mão 
bicando o dorso verde das montanhas 
onde trafegam pianos em flor.

Enquanto isso inda é verão na cidade, 
me lembro o clube da rua Bariri,
Olaria campeão brasileiro da Série C
em 1981_________

e as borboletas de bicicleta me levam
onde a piscina, LÁ, continuará Retinindo.

Soneto, n.467(Forma 4/8/2. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

Para um Silêncio onde amanhãs
não têm roupa e se pluriextanguem
no frio Irreparável que são os chicotes 
dessa cotidiana vida é que preparo

o terno que irei usar nos Chanfalhos...
TacitÚrnico percebo não ter sido rei
nem quando os matos vestiam meu bairro
e inda joanInhas vermelhas dançavam 
no prado em frente...
Para um Silêncio onde os futuros 
são toda a parábola da figueira Seca
preparo meus rÉis de azinhavrado Adeus________

munduRÃO Vidrilhó que sobre minha capa
plantou serpentes, foz de outonos e Espadas...