sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Soneto, n.443(Forma P.H.B. À memória dele Amarildo)

O quadro nela parede tem ruas acesas,
magote de pernas sob apressado semáforo:

sinto o Cheiro que a chuva arRÁsta feito correntes -
mundo de carroÇÕes sem janelas,
minucioso em escondRÊR montanhas 

embaixo da cama_______ 
novas teerÃS fazem engasgar radiÓlas
mas nem tudo são galeÕES digeridos
nos porõezÕES do TriÂngulo________

inda HÁ Candeia de árvores nos cavaletes
e o Mar devolve a teus pés rosas de areia,
pode CRER, vem no diário oficial_________

junto da Virgem João Grilo chora a CuÍca:
traz Amarildo VINgado, tri-RediVIVO.

Soneto, n.442(Forma P.H.B. Para Caleb Baltazar)

NoitÁcia dentÚÇA escorre das venezianas,
trem desembÉsta sem AloruFÁs e

esperantos, violas
de Más-marRÍs e por sobre tudo o 
pulso, NU__________

mar quando se Aprende a profundura
a gente veste o Respeito
e Entende porque as praças estão mais Tristes,
luar sem conhaque e sem Dois

na Bossa: mundo fuma o cigarro 
que a tarde canta nos Ossos,
ponta da baionÊta é PoligLÓta_______

a flor que eu Quis pros cabelos 
no meu coração EsconDÍ.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Soneto, n.441(Forma Paulo Henriques Britto)

Porque não Mais espero retÔrno
aos imeRÊneos florÍs dela infÂncia

a neblina da manhã retira as calças,
desce lá do Sinai como o profeta -
NU com as tábuas quebrÁdas________

por cinco ziguizirês de encorNÓpios
o vento espalhou sementes pra Além 
do que gostarÍamos - erÍnias lampRÉiam
restos de nossas SOmbras,

gente anteVÊ cabrundós do samba 
atraveSSado por uma faca,
quÉÉde Amarildo?? O infinito 

jaz de Inominado 
gol-Cooontra.

Toada em forma de Soneto(n.440, forma Paulo Henriques Britto)

Mundo fuma o cigarro da tarde
na quase-Noite que põe girafas

nos socaVÕEs das esquinas, dentes de foice 
à Mostra________ rosto d'Armagedons
já quase maduros de Tudo,

viajaram muito, tÊm dez mil anos como
o Raul e dálias gigantes que se desfolham
cada vez que toca o hino nacional,
às vezes têm pés de piano_________

caÍu caÍu a cidade das prateleiras do cÉu,
roubaram as muletas que ultimamente 
auroras usavam pra se levantar,

carnavais se esmiLÍNguem
em chúúúva de cajÁs Atômicos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Estudo pruma SombrÚra(Soneto, n.439, forma Paulo Henriques Britto. Para Sarah)

ChuvoÃO lá fora, trovoada, friÚme,
escuridÊncia por Tudo

em Roda______ num tem luar 
pra chamar conhaque e nem
pássaros juntando conchas.

Anjos de clarineta fugiram pros
socaVÕEs, beirais pelos telhados se Enchem
ver arteRÉria de boi cortáááda 
pela estrada de ferro,

cavalos vermelhos descem da cabeça 
do céu, e primeiro empalidecem os
gramofones, álbum do Crime se Abre,

à sombra das guilhotinas: último anjo
apaga a luz, fecha a porta.

PoemHostil(versão soneto, n.438, forma Paulo Henriques Britto. Pra Luciana Moraes, Luzinha)

São Mármaro - profeta da pátria-Mor de
minha Loucura - não carecÊU cavucar as nuvens 

pra ver repiniques porem fogo aos trombones
da bateria da Portela_______ des' pelo menos 6/8/1945
não se Repensam planetas na Cidade dos homens,

e desdAÍ curumÍns nascem do AvÊSSo
e com febre de dinamite, vento faz CarretÊIo 
levando sons de RequiÊns nas lapelas,
governos confiscam escadas 

unicamente pro refesbÓrio dos dólares e
o estÚrro dos minotauros, tudo embrulhado 
dá o seguinte JuÍzo_________

no monumento Afinal se descobre QUEM era
ela musa-anÔnima, era... a mulher de LÓ.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O Vira(Variação com Corvos no título. Versão soneto, n.437, forma Paulo Henriques Britto. Para Sarah Valle)

Em casa, lua
sem Chapéu. Fugiu a paz

das naves religiosas com dentes 
e milhares de reais na MÁla -
seu dotÔ juiz diSSe que era normal -

Belo Monte estrÁla de curumins maSSacrÁdos
e o despautÉrio encrÉspa a crina
dos cavaLins_______ "volte amanhã" -
diz a Vida - com debique

de funcioNÁrio que desistÍU
de ver Flor no asfalto às cinco da tarde -
noite desce Mais

CEDO, igual boi Solitário 
frente à torre de petróleo.

ElegiÁÁ pro quinze de novembro(Soneto, n.436, forma Paulo Henriques Britto. À memória de Dom Pedro II)

I) ProloGUÊ

Era uma vez todo mundo, passando 
no bonde lotado de pernas e

sem direito a conhaque. Cós da calça mostrava
um relógio DerretidÃO ver catalÃo BiruTÊ
que mesmo AsSim dava oito horas da manhã

e acordes fora do EX-quadro, faltando um dia,
HUM, pra eu matar o meu amor
às cinco horas na avenida central, mas
oÓH! - as pessoas na sala de jantar!!...

II) KuaruPÓ

Lá embaixo os Quintos, e pÁSsaro
de quatro folhas_______ todo novembro quinze 
vão capeTÕEs MacaNÚdos na jaula do

marechal - 'quÊle filhodaputa mÊsmo -
que apUnhaloU nas Costas o Imperador.

Relatório de maio(versão soneto, n.435, forma Paulo Henriques Britto)

Não há películas de vidro que MusculÊjem efÓs,
rosáceas de mais falarem as

línguas dos homens_______ faltam janelas,
futÚns de faca invadem as Rodas
e sempre o Mar realça como nenhum cinema

a insÔnia que pelos dedos EscÓrre. Sobram
películas de más-MulÊnciAs
quando a montagem não explica a imagem
e pior, PIOR: poucos se tocam

que perderam o milagre, astronautas Nus
e meios-fios dentados, som dos shoppings
é Mar sem margens e de mãos Digeridas

o efÓ de não MAIS sol, nem jornalÍcies
e Amarildo continua Sumido...

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

GrenÓÓrdia, n.1(versão soneto, n.434, forma Paulo Henriques Britto)

Mundo tardêia Amarelo, ver trens sonolentos -
dedos sujos de nicotina e ferro,

na mente os horários com menos cabides
praquÉla faixa de Povo que teimosamente 
não se conforma em morrer.

Tem gente inda com fome que o
ar condicionado dos trens não consegue esconder,
grajÊIa o mundo e as asas de corvo
são também de nicotina e ferro

pensando no carnaval, lá fora NilÓpolis
passa correndo: esconde as carÁças
nos sovaCÕES com treva até o Talo________

minh'alma Velha perigosamente 
é poste Mijando nos pÊrros.

LitanirÍnha, para harmônio e geolho(versão soneto, n.433, forma Paulo Henriques Britto)

Domingo seis horas, rubro cinzento por
toda mão da geremário dantas.

Sino do Zaccaria volta de longe -
traz duas oliveiras e a chave 
pro filho pródigo.

Na capela um sacerdote 'tÊia fogo
ao cordeLÉU Encantado, grupo de avÓs de alunos 
exuma a Ave Maria de Villa-Lobos_______
na porta seu Ferges do pÃo pÁra a carroça,

reza a prece humilde pros Três
que anjos Aplaudirão: "nós cada dia zé-Estamos
mais vestinZÍndo alfabetos, no entanto 

MAL tateamos
nossos vÉros-Nomes".

PoemodrÔmio(versão soneto, n.432, forma Paulo Henriques Britto)

No meu subúrbio Haja chÂncas
pra rebater este EmPÁche dos quarenta graus 

da minha febre...______ cor do FRIO
com mais unhas que ArrANham enquanto 
passa ele-EntÊRro, na boléia um coro de

mariposas CarpiDÊia_______ corpo no cavalete
não recrÍa a guerra do Paraguai nem acha
as VÍsceras do Amarildo: jambalÃO dos morcegos 
inda mais Mortos mei'-dia_______

inadiÂNTA eu ser o Nijinsky, mar
devolve 'a teus Pés' rosas de areia,
último anjo farRÚsca seu cálice no ar________

o Brasil inda é o país do futuro(mas levou
DÉCADAS pra vir no diário oficial).

Pulando Carniça(versão soneto, n.431, forma Paulo Henriques Britto)

Chegou um tempo Absurdo
nos ombrulhões de novembro_________

lá do Planalto vem ordem para aumentar 
o número de abutres sobre o fígado 
de Prometeu_______ mamãe mandou plantar

mais chifres na cabeça de cavalo,
ali na esquina ouço a trompa da caçada
às sereias, periga a gente não ver a lua
chamando conhaques - uma e outro Varridos -

saída será o contrabando das flores 
pra fora do país: vai meu irmão 
pega esse avião do jeito que FOR, guarda Bem

essas flores________ dentro dos olhos,
dos bolsos, nas janelas do crânio.

Estudo em forma de minueto(versão soneto, n.430)

Anunciada pela Escritura, a criÂnça
empina um papagaio mineral
que tem os olhos do arco-íris.
Na casa à janela a ama aSSenta na

carta chegada do Crato duas colheres de fermento:
torres brotam da terra, pásSaros sobem por ela
e vão buscar água no ItoroRÓ
mais Looonge________ panos d'ArRÁs

forram demÔnios, mas sem baÍnha pras espadas 
(a Virgem lhes confiscou),
os pásSaros depois fazem homens
que dão as Costas ao arranha-céu__________

semenTÊira: saudade pela primeira vez 
sai à procura de trabalho.