sábado, 28 de fevereiro de 2015

Soneto, nº 125 (Muriliana, nº 2. Pro Marcos Nascimento. E à memória de Alan Souza de Lima, de 15 anos, assassinado por policiais na favela Palmeirinha, Guadalupe, zona norte da cidade, em 21/02/2015)

Sobre a cabeça vislumbre dum céu de Cromo,
de aqui-Chegançália: tiros sobre a cidade  -
espetalada, Partida. Os anjos verdes do Mal
montados sobre homens Trelentos,

feitos de hissopo e náusea____
multidão ver boiada a passos largos
pro Abismo. É noite,
por Tudo faz noite.

Os jaraguás Caporãs sumiram nos socavões
temendo escuréus que massacraram
o último sopro do Cristo nos corações
agora sízifos dum pluri-Enxofre_____

beleléus Capiróticos mungubam samba
dos Quintos, gritando a Breca do mundo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Soneto, nº 124 (Muriliana, nº 1)

A manhã suspende os guizos da noite,
atrás de cortinas Azuis. Murmura
o gênio do bosque: roseiras dão-se as mãos,
vento despenteia as nuvens.

No lago próximo peixes movem as antenas
pra me escutarem. Pássaros bebem o
sol, devolvem oboés aos meus ouvidos,
os bichos do campo fiam minha roupa.

Preparo a mesa do Hóspede aos meus
irmãos, erês-Anjos. Três estátuas em
pedra-sabão trazem lá de Congonhas
um grande abraço do Aleijadinho____

a manhã suspende os guizos da noite:
girassóis retomam sua dança Antiga.

(Imagem: Mont Saint Victoire, de Paul Cézanne)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Soneto, nº 123

Perdi Marina e a esperança
num acidente de ônibus.
Desbruzundós em quebrantos,
antiliras no céu:

tudo que é flor Deflorada,
gravatéu dos infernos.
Então segui, catifundo,
segui vestido de Nada,

pranto a salas Vazias. Noite escassa,
munguba, nenhum carro amassará meu corpo,
encosto todo num poste
meu ombro reles, Nenhum_____

parangolês-Camará, perdi Marina, a esperança
num acidente de ônibus.

(Imagem: Auto-retrato, de Ismael Nery, 1930)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cântico de Antares (Versão soneto, nº 122. Pro Augusto Guimaraens Cavalcanti)

Então que ainda me Existo
sob essências de pedra. Aquela nuvem distante,
os corvos em Tel-Amarna,
trigo nos estômagos do homem.

Cinquenta e seis dias fui Balaão no deserto,
eram de areia as palavras.
Primeiros deuses foram estátuas de Sal,
sob crepúsculos ainda jovens

do grande Eufrates. Houve tardes, manhãs.
Inda me Existo defronte aos Áquilas de ferro.
Areias presas em relógios
me lembram pássaros-Bronze_____

devo Existir até que o Sopro dos Três
complete o Livro dos Dias.                                      (Imagem: Salvador Dalí, Enigma Sem Fim, 1938)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Aruã (Versão soneto, nº 121. À memória dos passarins da cidade de São Paulo)

Nos guaribuns de São Paulo
os pássaros: Fora. Desque faz-Muito
no calamar Ingranzéu
das vestes rotas do tempo____

porque homens mortos prosseguem num Desandó,
com seus ternos de chumbo, guarda-chuvas
de bronze, parindo filhos sem Asas
prum mundo corno Absurdo.

Uns angerês Catifundos
me dançam nas janelências
farfaréu do Tinhoso, ebós manducos*
de ter conserto mais Nunca_____

desque faz-Muito nas Rotas vestes do tempo
os pássaros: Fora, dos guaribuns de São Paulo.

*(Manduco: trazente, que traz algo)
(Imagem: O Café, de Portinari)

Soneto, nº 120 (Interlúdio Cambaio, nº 4)

Noite. Lua paidégua, aquilo: de fruta inconha,
mei'vesga. Silêncio
que dói nos matos
e em Mim  -  Carrêgo  -

alma não-Lúria, Infalente. Queria mesmo
um desembêsto de festês Infantes,
mão comprida nas Cores, 
mais olores-Ternura.

Mas bem Paidégua essa lua  -
e me aparece de Olheiras  -
zimbórios-mangues em bocarras Monstras,
mar de estrondós, tempestades____

Urupuçás de armagedons trovejantes
num ver-Silêncio catimbreu Difunto.

(Imagem: acervo da casa onde nasceu Antonio Conselheiro, em Quixeramobim - CE)

Soneto, nº 119 (Interlúdio Cambaio, nº 3)

Entonces: diante de um mundo Corno
ter esperança é Falácia,
chusme-Açú brocoió,
malestandarte de Otário.

Deitado sobre o horizonte
espero o trem que me amasse,
mingau de sangue ordinário. Num tem roseira
nem vela que me desfaça esse Asfalto,

peito feito gerúndio vomitado a Metro
nos telemarketings do capiroto,
cidadela Intragável ver caraças de
Pirro, em sopro de xeréns-Dragões_____

três grandes Águias amanhecem no céu,
saudando a Breca deste mundo Corno.

(Imagens: Visões do Quixote, Salvador Dalí) 

Soneto, nº 118 (Interlúdio Cambaio, nº 2)

Inás não mais
uns olhos verdes que Fui...
meus esperantos, meus frevos,
andam 'garrando Cinzalha_____

serras do Embú, Mantiqueira,
mumburundadas
nas estruturas: tortura
Desconchavária.

Meus eus ver-Trezentos
vão longe dos Caxambus
um dia flores, Manhãs,
meus lábios  -  cãs de Moimento  -

são bagos de fava Inútil,
guando morto e Roncolho.

(Imagem: Quixote, de Salvador dalí)

"Quatro Interlúdios Cambaios" - (Soneto, nº 117. Interlúdio Cambaio, nº 1)

Céus de urano sem visgo de azulejos Azuis:
o coração numeroso anda em Silêncio
e sem dez olhos a cidade Inteira.
Procuro Rostos, às mãos cheias o que aparece

são restos de galeões digeridos
no fundo-Abismo de catimbós-Oceanos  -
homens sem rosto e sem carne, vitruvianos
dos iguaxins do Capeta.

Nem zabelês nem reizados de caravelas
sobre aguaçais já saturados de Piche,
daronde outubros chuventos dão mais Tamanho
pras Infalentes desgraças já num tombéu Caba-Mundo____

vão galeões digeridos no fundo-Abismo onde Nós:
mais oceanos de guelhés Difuntos.

(Imagens: Antonio Conselheiro)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Estudo em forma de Sono, n° 3 (Soneto, n° 116)

Querências num mesmo lado (esquerdo, Chave do peito):
a casa Antiga o quintal
o pé de rosa-Minina que parecia esses bonsais  -
modês hoje em dia...

Neste meu lado ela Chuva
que desde sempre me foi Manhã,
mestra de meus levares
mais Vóaros junto de portas

que sempre abriam pra corredores
em cima d'água, barcas indo bem Longe
levando todos meus Eus
prum mundo-Sono, des-Tempo____

são girassóis de Horizontes, erês-Cantares
todo esse Andor onde hoje Encanto as palavras.

(Imagem: Lavadeiras, de Portinari)

Estudo em forma de Sono, n° 2 (Soneto, n° 115. Pro amigo Marcelo Reis de Mello)

Sânscrito de tez Antiga
na mão lambaia: Bahia mesmo dos santos
e (de) jangadas ao Vento,
mananciais de meus olhos_____

Horizontares
onde andaranças mais Vóaras,
infinitências
de passarim Desembêsto...

e mãos-Vertigens das cores num furdunçó
mandando os "ismos" dos homens
pra aquela parte nos Quintos,
junto do átomo e de Manhattan____

Depois então pode ser que chovam flores
de-Novo, como era desde o Princípio.

(Imagem: Leitura à beira do rio, de Eliseu Visconti)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Andaime, nº 1 (Soneto, nº 114)

Caos de urim-Cascalho
em céu de Outubro sem brigadeiro:
meus zabelês não mais os portos de Lisboa,
passaredo se espanta, assiste reizados

das últimas Caravelas...
a tempestade sacode um feixe
de mortos das doze Tróias,
inclusa a Cruz, meu Cáucaso.

No Abaeté chega a noite
banzando tango argentino,
onde leões sem juba
saltam do livro dos Dias____

mundo anda matando Orixás,
homens indo pro Beleléu depois.

(Imagem: Auto 
Retrato, Salvador Dalí)


Urubupungá (Soneto, nº 113)

Sertão mais brabo. Butuca
assim pra riba dos couro  -
distroncho murcho Cambaio -
a gente não vendo nuvem

num céu de Ferro, chumbêra
em muita légua de Roda
agouro que vem de cima:
esse urubu vem Pungá

pra riba mêrmo de Tudo
só de butuca esperando
que a gente arreie os parango
no chão da treva_____

cordel bozó de Infalênça,
mortalha braba ali Rente.

(Imagem: Retirantes, de Portinari)

Estudo em forma de Sono (Soneto, nº 112. À memória de Cora Coralina)

...de mais Vicências
a dança
um dia exílio pelas esquinas
duns olhos:

vintém de cobre,
inda Esperanto e o tempo, Enorme,
coração deste rio,
casa velha da ponte.

Procuro o sol por trás de cortinéus cinzudos

e vejo praças onde crianças brincam:
música neste Outono das cores,
novo acordar_____

nas águas que chovem Março
adormecendo o verão.

(Imagem: Outono na Bavária, de Kandinsky)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Mais de Outonos e Espadas (Versão soneto, nº 111. Pra Danielle Ronald de Carvalho)

Num lado esquerdo está a Casa,
e das janelas caminho a chuva das manhãs
em vago apronto de Lágrima: sopram fagotes
sonos onde me Ensombro.

Perdi meus Eus pelos pátios
levados por sóis Vermelhos
e mais mundéus de ver-Sangue
num costerão já des-Rosto...

erês de agora são Monstrurengos
do fosso-Abismo dos mares e mais de Avesso
se me procuro no espelho, naus catáreas
dormindo sono dos Náufragos_____

restando Cáucasos de sargaços, crepúsculos, 
e mais de Outonos e Espadas...

(Imagem: Casa, de Eliseu Visconti)


Aruanda (Soneto, nº 110)

Sol descamba no céu:
traz um crepúsculo pro Alemão,
onde as crianças dormem pela primeira vez
em cento e vinte anos de república.

Adiante no Vidigal:
um vaso rosa no muro mais alto,
ainda à espera
dos girassóis de Setembro. Pelas vielas

a gira das assembléias  -
pretos velhos sacodem pombas
à espera da moça de guarda-chuva
que anda entre as palmeiras do Império____

futura estrada onde os cavalos do Hóspede
enfim bantós de Aruanda.

Soneto, nº 109 (Dedicado à querida rua Cachambi, zona norte da cidade)

Faz frio faz chuva. De dia (desdontem)
era ver noite no céu, escuro igual
futuro de pobre. Ninguém prum café na rua,
que chuva Inclusive

sumiu com ele Biguá, cachorro-Mestre, mascote
da cachambi____ bicho de rua nenhum
de mais estrela que Esse: são 32 os donos,
fora os compadres...

Faz frio faz chuva
o dia inteiro a começar
desdontem, no céu por cima da gente
um Cinza, de cinza só...

Marracachorra essa chuva
assim banzante, Desdontem.

Soneto, nº 108

Na vida em que a gente morre
xelins de Arsênico
marulham nos escuréus
das madrugadas de Chuva.

É quando estrelas cadentes
rabiscam gênias de asfalto
nos risorôs dos jardins,
e o cinza é franja que Resta

nos trampolins de íris-Tudo,
perdidas: Irene, a esperança
e meus bantós-Zabelês mais firulentes
de encantárias Infâncias que já vivi____

um quase sol abandonado às neblinas,
um tom de Inverno a me subir dos espelhos.

Quadrinha (Soneto, nº 107. Sobre os aécios de Sempre...)

Na minha terra tem dança
tem cabrolós, macaxêra
cabindas, pemba Aruanda
e mais açús Sabiás

Na minha terra tem mares
areias morros cantares
carnália ver fevereiros:
sambança à beça nas coxas

Na minha terra tão vasta
tão verde alegre Festuda
só falta uns ombros-Roncós
de vergonhêra em Brasília____

meus caximbis-Orixás que amanheçam
um novo sol no céu da Pátria, neste instante.

Serafins (Soneto, nº 106, pra minha irmã Débora Nascimento)

Serafins plantando nos igarapés
seus insolúveis solos
de clarineta:
aguaçais Japurás

pelos purús cantando as armas e o varão,
desenredo pro boto  -  pai de todo malungo
das mamelucas Malucas
que foram pro mato Sós____

cangalha ver curimango
deles sacis bailando noites sem lua,
jongo em cachimbo e gorro
no breu da treva do chão da toca____

um breu virê Berimbau
pelos purús dos serafins-Japurás.






Poemino (Soneto,nº 105)

Aquela roseira, em Pé
como um vigia entre as colunas da Noite
manduca de não sei Onde
odores mágicos:

esperanças brincam de roda
como se nunca houvessem morrido
dentro dos homens, e tudo Fosse____
o chão onde os pássaros andam.

E me esqueço dos mutuíns do Capeta,
dos guelhés de Brasília, dos índios sem casa
no maracanã, e demais borras de tragédia
e lágrima, Refestança no rosto____

paz mais Solta, Odorante, entrando firme
nas Cinco salas da gente.

Soneto, n° 104

Muito depois do jongo-Infância do mundo
se viu o tigre  -  Cristo  -  toré de Síntese
brotando pelas campinas daquela tarde,
após cavalos atômicos rasgarem pulmões

de vivos e mortos nos Sete Povos...
um coro de anjos gritava trovões
na serra do mar por eles mártires
da CSN, pandora-Iara abriu cem caixas

de calendários revolvidos em sangue
e tudo andava em quizombas de Beleléus
cantando a breca do mundo, entre urubus
e serpentes, quando ele tigre Rugiu____

desfez-se o ebó Catingudo, o Cristo-Rei
chegou de mais erês e Furdunços.

Elegíada (Soneto, n° 103. À memória de Mário de Sá-Carneiro, e de Murilo Mendes)

Porque me vi Labirinto
findaram cores, Infâncias.
Entre dois goles de asfalto marulham
NÃOS, mãos adultas da grande insônia  -

ela a morte  -  num desenhê Catimbreu
dos corvos-anjos do Abismo, 
e como a tantos antes de mim me chamavam
homem____ mas o horizonte à galope

correu com meus cererês
e me vi Nu vestindo ternos de bronze
quando a memória das flores
fugiu dos olhos de Todos, batendo a porta_____

tentei trombones e sóis num Grito:
mas só me ouviram as palavras.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Soneto, n° 102

Cidade dos homens,
o calendário vestido
em quarta-feira de Cinzas
na esquina do hospital da Posse.

Olho as pessoas, bem Dentro: castelos feitos
em Pó, leões sem asas nem jubas,
num Desbordó conduzido
pelo dragão da Maldade.

Quando anoitece conto as estrelas,
faltam várias ao trabalho.
Demônios grandes se escondem
atrás de nuvens de Bronze____

e os trens retornam para os subúrbios
levando quem não se acaba de Morrer.

(Imagem: sem título, de Jorge Guinle, 1984)


Corcovado em Carnália (Soneto, n° 101)

Embaixo dos suvacos da Estátua
anjinhos de calça larga e gravata
formam orquestra de fagotes
junto das nêgas do Chico____

é carnaval Carerê
acima dos cubos verdes, quando o samba
lava as retinas dos homens
e os liberta pra Muito

de seus ternos de chumbo, e de
suas vidas cada dia mais Curtas____
Fuzarca, requêbre nos palantins do espaço,
ar repleto de abacateiros azuis,  junto

de quem já Foi, foliões libertos
do cálice da Matéria.

(Imagem: Carnaval, de Di Cavalcanti)

Cantiga Mindinha (Soneto, n° 100)

Do enterro
que passa ao largo
importa mesmo
o que Fica:

tão Rara a vida, vestida
em pássaro e Pressa,
e ele vento  -  imbó Macanudo  - a Leva,
junto das fo 

                  lhas
                       da
                 gen
                       te

prum "Longe"
sem ponto-e-vírgula...

(Imagem: sem título, de 1935, Ismael Nery, e Jardim do Poeta, de Van Gogh, 1888)

Sivirino (Soneto, n° 99. Lembrando as Jornadas de Junho - 2013, aqui no Rio, e no Brasil)

Nóis tudo torque danado
tôco de amarrá jegue
'ssa incelença de tempo
e corda troncha da Vida:

onde uns cordéis pode Tudo
o resto isgarça nas curva
sede véia mardita,
catimbreu Inzelento

dum todo cu Sivirino____
vida é ripa Distroncha
onde em Brasília  -  Dismando  -
e nóis, zé-povo Fudido

é tudo poço sem Fundo,
jabaquê Caba-Mundo!


Pátria (Soneto, n° 98. Pra minha irmã Laura Pires)

Um grito varando a Noite.
Vem lá do cerro, das Minas
e das estradas de tropa, dos currais D'el Rey
num bricabraque atravessando estirões,

matundos grotas valados
brincabrincando
nos barros____ ponto das chuvas
poeira_____ canto do estio, do sal

da pedra lavada em Sangue,
este andrológio do Alferes
marcando à Ferro no mundo
um Todo, e novo País:

ao som do mar,
e à luz do céu profundo.

(Imagem: José Bonifácio idealiza a bandeira, de Eduardo Sá)

Cântico (Soneto, n° 97)

Bendito és tu, Senhor
autor da voz Primeira e da Palavra____
que o mundo inteiro inda se espanta
ao partilhares do pão com as esculturas de barro

nas quais sopraste o Espírito:
com Abraão teu amigo
antes do fim de Sodoma, onde o nascente
apareceu Vermelho.

Bendito és quando através de Isaque
trasladado a lã
era o Cordeiro encarnado
e todas caveiras Libertas____

sou todos os anjinhos cubistas,
acesos os candelabros do Encanto.

Ápice (Soneto, n° 96. À memória de Mário de Sá-Carneiro)

De um sol longínquo um sopro
nos outonos de Mim  -  onde uns aléns
inda refletem luz Sonoramente  -
algum jardim floresceu

pelos meus olhos tão d'água, memória
do que eram cores vestindo
o branco-Vazio da minh'alma,
aurora, um dia...

"Ah, não sei porque mas certamente
aquele raio cadente
alguma coisa foi na minha sorte,
que a sua projeção atravessou..."*

onde era ideia de Norte, último sopro
a retardar o inverno Derradeiro...

*( Citação de trecho do poema "Ápice", dos mais lindos de Sá-Carneiro)

Imagem: pintura de Julio Pomar, "Lusitânia
no Bairro Latino"  -  retratos de Mário de Sá-Carneiro, Santa-Rita Pintor, e Amadeo de Souza
Cardoso)

Soneto, n° 95 (Êxtase de São Mármaro. À memória de Manuel Bandeira)

As três mulheres do sabonete Araxá
são doze estátuas
vestidas de musgo Antigo
nos quatro braços do rio Primeiro.

Na serra da mantiqueira
abri clareira Matunga,
vi lá embaixo as portas dos homens
abertas para a estrela da Tarde.

Levanto de minha sede e fome
andando em pontes de jade,
irmão do sol e da lua,
bulhó de sangas Taludas____

enquanto imãs Tabaréus
são quizabruns daquela antiga Serpente.

Soneto, n° 94

Mundo, por tuas praças Retintas passam mercês
vestidas em quarta-de-cinzas,
manguante num grande Luto
após a morte das flores.

Desandam pontes sobre teus céus
já saturados pelos edifícios,
segue apagada entre os homens
a grande lamparina do Encanto.

Caronte espreita detrás
das panóplias Descaralhadas que teus agentes
debulham, mundo, e nunca mais baroléus
darão Canções da Manhã nas tuas praças Retintas,

despidas de rios, mares, Intermináveis
um dia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

De-Noite (Soneto Inglês, n° 93, versão II)

À mó que faca mais Cega
o descatembre das carnes
quando é de-Noite na gente:
então não mais giramundos

sonhando igrejas Imensas
nos sotéus de Minas, os óio gasto
em timbós-Chorare
e nunca mais catavento

que lembre flor no jardim____
quando é de-Noite na gente
num tem mandinga nem Reza
que chegue prum cafezim:

noitêra de maus sacis e caiporas
mangando dos meus Sofreres...

De-Noite (Soneto Inglês, n° 93. Versão I, em modo-Cor de cordel)

Fui ver Rosália Morena
na feira de Itaperá.
Gastei xeréns e marombas
pra ela me namorá

mas cheguei tarde pra Muito____
banzava cravo canela
roupa lavada e Quentuço
pra seu dotô delegado...

que descatembre nas carne,
roncó ver faca mais Cega,
nunca mais catavento
que cheire flô no jardim____

ai meus óio gasto de timbós-Chorare,
quebranto mor Curimã!

(Imagem: Di Cavalcanti, óleo sobre tela)

Soneto Inglês, n° 92. (À memória de Roberto Laudísio, assassinado por seis policiais em 2012, num domingo, na cidade de Sydney, Austrália)

Hoje dumingo
num tem bantó nem cachimbo.
Os pássaros faltaram todos
no trampo, oboés nas gavetas.

Nuvens choram baixinho,
são lágrimas da Virgem Branca,
às tontas pelo espaço do céu:
mataram longe um patrício

na ilha dos cangurus. Roberto.
Ele era brasileiro,
que nem Eu.
Ê jóça Má, maranguava____

gira-girou canta o galo
carroção ver ermínia-Miséria.


                                                                                                       (Imagem: foto de Roberto Laudísio)
                                                                                                       

Serraxo (Soneto Inglês, n° 91)

Na trempe da grajaú, levando os lábios Inúteis
pro quarto em Jacarepaguá. 
Por sobre a serra os Trombones,
temporal Macanudo

lambendo a carne das árvores.
Assim mesmo três rocinantes
comem do morro próximo, gramácia
com molho d'água.

Ventaaaaaço assim laterálio
fungando arrêsto na van, o motorista
diz qualquer blague sobre São Pedro
que não tem graça Nenhuma____

lá fora a bateria da Portela
tuuuuurumbamba cochambrando a moçada.

(Imagem: foto de Rodrigo Luz da estrada grajaú-jacarepaguá, RJ)

Elegia (Soneto Inglês, n° 90. À memória de Mário de Sá-Carneiro. Pra querida amiga Catarina Rosa Muirin)

Luar
sobre querências Idas,
pontes sem fim de Abísmicas, paúra
de me saber desespelhos

onde os aléns Partidos... de Tenebruras
mais confins à salas Vazias como em Laguna
a retirada Triste... os cabró preto foi Tudo
beijar Caronte nos quintos.

Heráldico de Mim
sou fervuras de mais bronzes-Ânsia,
viramãs longitudes, as náuseas
descalçam Verbos de meus arrêstos de Fuga___

portões sobre congás-Crepúsculos...
tão mais de Ferro!

(Imagem: Pintura de Julio Pomar, "Lusitânia
no Bairro Latino"  -  retratos de Mário de Sá-Carneiro, Santa-Rita Pintor, e Amadeo de Souza
Cardoso)

Soneto Inglês, n° 89

Sentado à beira do mundo
contemplo as casas em fuga.
A tarde cai, pássaros escondem o Rubro
no fim do horizonte.

O braço da primeira estrela
acende a próxima vigília.
Escuto o grito do oceano, chacoalha seu feixe
de mortos, move gáveas Extintas.

Sombras vestem pirâmides,
guardam a esfinge sem rosto,
e também marílias, alferes____
sussurros de Vila Rica

nos olhos do poeta futuro,
sentado à beira do mundo.
(Imagem: Bestiaire et musique, de Chagall)

Soneto Inglês, n° 88 (Soneto dos quatro quartetos, ou com Estrambote incluído. Pra Gabriela, Dríade)

Tarde odara, malunga,
céu de acácias azuis:
se espalhe um surto de Vida
em pátinas de miricores

sobre naus Quirinãs, inteiro Mar
pelas janelas-Alma, por cima um sol
deles sonhos, Infinitamente,
quizombas de erês-Cantares.

E venham cimos de Norte,
venham gêneses-Rios,
vinhas, campos de trigo  -
sopro banto do Hóspede.

Espero novos acordes
de enormitárias Manhãs
nos ombros de anjos canhotos,
ogãs cubistas da Virgem____

onde repousa Emaús,
em velha estrada emboaba.

(Imagem: The Juggler, de Marc Chagall)
(P.S. Excepcionalmente este soneto ficará com quatro quartetos. E quem não gostar,
pinhões. Como diria o Bandeira)

Maranatá (Soneto Inglês, n° 87)

Dizer desse esperanto Bruto
que é mão inversa da Cinza,
posseiro em todo o meu corpo:
malabares ver Passaredo

inda que tarde a Manhã,
e homens roncolhos rujam
seus palantins do Cramulha,
corvos do grande Abismo.

Espero o canto das quinze trombetas
quando aguaçais lavarem as partes de baixo
de toda carne, e o estandarte do Cristo
encher os poros da Terra____

fagotes e ocarinas Verdecerão
no sopro dos Três Primeiros.
(Imagem: Casados na Torre Eiffel, de Marc Chagall)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Soneto Inglês, nº 86 (Sobre Arunquê dês-Brasil. Pro Augusto Guimaraens Cavalcanti)

Na Cramulêra que as cidades Viraram
passam mugentes boiadas
bafando enxofre pelas ventas de aço.
Abismos que não devolvem

Os aimorés guajajaras plantados no Beleléu
desque uns pirongo enorme
chegaram trazendo uns branco de saia:
e já chegaro masgaiando Tudo.

Dispois foi Coisa(inté hoje) esse jambú dos infernos
mandando pra Zé Caronte os cabró preto
que apesar das chibatas inda fizero
isso Daqui que a gente chama de Pátria____

Onde Amarildos inda se fodem às pencas,
fadados a não parar de morrer.

(Imagem: Frevo, de Portinari)

Valsinha pra ela(Versão soneto inglês, nº 85)

Tu, moça , tens de um delicado veludo
esses teus olhos que mais marejam
ciclopes, nebulosas longínquas a bocejar planetas
onde eternamente é verão_____

como se sóis nadassem todos na languescência

que vejo nos alcantis e declives, Gentíleas curvas,
teu corpo: céu claro, firmamento dos pássaros
tão mais flautins em ziguezague

entre os anjinhos barrocos de Diamantina, e lá nos matos de fora,

nos cerros e estradas e rincões de tropa
lá onde os rios escondidos, mais funda mata
vão dez mães d'água invejosas_____

de eu preferir-Te mil vezes

em mil possíveis Surgências...
(Imagem: Ismael Nery)

Cinzário(Soneto Inglês, nº 84. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin. Para a amiga Flavia Martins)

Tarde ancora seus traques: sobre a Memória.
A música do espaço anoitece antes, e
gárgulas  do que não-Fui destilam gritos
sobre escadas que sobem sempre sem réstia

ou mais ebós de Chegança, e tudo é sopro

de lugares  Nenhuns correndo pelas aléias
qual monstrurosos  caporas. Chuvas chegaram
Não  pra desbotar o Cinzário  nos costerões

do meu sono, candongo a portas Trancadas.

Por isso a forja da Espera  tem mais candós
que os braços-Árvores  dela esperança,
seus verdes há muito postos  em Bruma____

setenta rostos olham do espelho, ridentes:

gárgulas de escadarismos  Defuntos.
(Imagem: Marc Chagall)

Montese (Soneto Inglês, n° 83. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

Deixei num albergue ao inimigo
a cantilena de meus cem rostos
eu mesmo queimei as portas da Altura
e fiz dos céus arnês-Carvoíce

era este albergue um quadro pleno de Árvores

erês brincantes nas cavalgárias  estradas
agora êrmas  de Hora  -  que o tal do Homem(sou ele)
foi feito à imagem dos precipícios

os precipícios feitos em rosto de amor

o amor em rosto de morte
a morte em rosto de Esquecimento
e este à imagem de Deus____

que tem cem rostos  no Homem,

posseiro em todos os espelhos.



(Imagem: O Relógio, de Marc Chagall)

Soneto Inglês, n° 82 (Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin. Dedicado a ela. E pro Hugo Stutz)

Carbonário encanto nessas mãos Imensas:
de não mais que Indícios onde outrora
Pontes sobre oceanos  -  velas adormecidas,
órfãs  de imãs-Galera____

silêncio agora onde as árvores  gritavam Cor

e os pássaros vinham brincar de novos Brasis,
havia um lago de Pretéreas mães d'água
contando histórias pra boi dormir...

mas hoje a casa que Visto

não é a mesma do surrão da Infância,
fogem azuis pelo telheiro agora sempre
Cambaio, Noite ancora nos meus olhos-Porto:

mãos Imensas, inteiras

de leões sem asas, sem jubas.

Invernescência (Soneto Inglês, n° 81. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

Onde tua pele  Começava eu via
a vilania dos homens e a Cor dos incêndios:
sangue que arruína os espelhos e o estreito
das Insônias, sombra que o mar Detém.

Eu via o errar dos gatos  sobre o sono
carregados de estrelas em Noite  na tua voz,
via o silêncio encostar-se às janelas
e fora uns  últimos  rabiscos  de lua,

como se Mundo fosse algo fácil  e que
não vimos fugir por entre os dedos
não mais acháveis  no geometrismo do outro,
e nunca mais oboés cantaram nossas manhãs____

que os pés enormes do Inverno: são Casa
onde tua pele não mais me fala de Abrigo...
(Imagem: Maturação, de Diego Rivera)

Para dançar apesar da chuva (Soneto Inglês, n° 80. Pra amiga Lilian Dórea,e para Ingrid Carolini)

Então que pulha e Madrasta mais aparece
isto calhão de  Escuro às vezes chamado Vida.
A gente olhando pra mesa cheia 
de papelês e reclames e vencidas contas 

e bilhetinhos e encós e bumbas tripúdios
a nos lembrar que tudo passa num galope
Doido e a gente frigindo os ovos se vê sem cravo
e sem rosa e sem marulho de Cor, querente só

de se esconder na grota escura mais Funda.
Mas olha, olha então pra janela, pra esse marzão
de azul-Profundo em quizombárias danças
a nos dizer que a chuva pode sim roncar Bravura:

mas vai-se embora e a vida surge  -  de Novo:
rondó mais sempre, de Sêmpreres.


(Imagem: Passagem pelo milho em Pourville, de Claude Monet)

Soneto Inglês, n° 79 (Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

...me recordas o ferreiro bardo manguando fogos na voz
de cavernuras Longínquas por detrás de teus olhos,
toda beleza: uma cidade nos ombros, castelos,
e em redor as árvores Esferiscentes

são quadros na casa também em lume de Portas,
moura princesa a se quedar nas águas
depois das rosas lhe devolverem a transparência
das Lendas, íris deiscente em deambulárias

Cinzuras dentro de corpos órfãos dos cantarilhos
de abril, noites-Esboço a bailarar entre os plátanos,
tão áureos Templos erguidos nos oceanos
e o mais das valsas em quadraturas de Sombra____

recordas-me: que entendo Tudo, e é a simplicidade
de um gato longo em ronronários  Escuros.
(Imagem: Guignard)

Soneto Inglês, n° 78 (Desentranhado a partir de original de 31/01/2007)

Então: num mesmo Meu lado  -  esquerdo  -
Nefelibata, de carma e Cisma:
meus curumins Prequetés, meus cântaros
ver  juritis gigantescas  sem  fechaduras

sobre elefantes de pernaltares Altíssimas,
as nuvens mútiplas de erês-chuvismos
onde eles gárgulas não traquinejem  nos olhos
(nem mais pra dentro, onde os motores da Alma)

a tarde se acabe Nunca naqueles braços de sol
dançantes nas  janelas  Abertas onde impossíveis
não Sejam nem troem  bocas de Assalto, vida que faço:
em naus retintas de oceanos Longes____

o resto, mar de Sargaços, se vá candongo
pro erexim dos Quintos. 

Ao Leitor (Soneto Inglês, n° 77. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin. Para Sarah Valle)

É permitido que te encantes nos valhares de Outono
que as palavras plantam junto das íris pelos jardins,
todas as pontes deitadas mansas sobre oceanos
e bem murmures Silêncio mais próprio

às danças da Noite, onipresente em cada forma
de Incógnito, por isso Mar de profunduras Tantrísias,
e mais: todos os ventos não desdirão braços-árvores
onde afinal Prometeu moldando os rostos dos homens,

e então a voz das estrelas, então a prata dos terraços altos
e todo um campo de girassóis no ritual tão antigo
de seguir o sol, farão teus olhos destrancarem portas
que nem sabias existirem, Pássaros: de erês-Cantares

se te encantares___ delas mil vozes que Erijo, sopro de Eterno
vestindo a Pressa das horas.
(Imagem: Parque de BH, de Guignard, 1949)

Núbluro (Soneto, inglês, n° 76. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

Tanto de esquivo existe nas nossas bocas
que supera a Loucura a própria boca
se apaziguada nos aguaçares, Distâncias,
aléns  crepúsculos-Ferro____

Eu vi teus olhos no Escuréu do mundo
ao lado esquerdo onde espessuras de Chuva
desdizem luas, onde esculturas de nós
estão mais órfãs de Prometeu subindo esferas Vazias,

abismos de fóssiles antiguidades
inda tão gárgulas em pluriebós de
Quebranto, as patas nuas de jardins
e prados virgens de Enxofre:

tanto de esquivo e malabares Naufrágios,
vigente a Pedra em nossas bocas de Sízifo...
(Imagem: Sísifo)

Acontecência (Versão soneto inglês, n° 75)

Serão seis horas da tarde,
eu vim pro mundo no Méier: girão mais léu
Quixadá, tanta perna de bonde
adormecida sob a vinte e quatro de maio.

Ficaram rastros de Minas
nos olhos do avô tropeiro, há muito um quadro
na parede  humilde. Os abricós baticuns
chegaram junto das brejas e o butiquim

foi no quintal de casa____ ninguém não vendo
suas vidas um dia mais  Curtas e os militares
ainda com dedo torto pintando ebós
e o diabo____ que, então seis horas da tarde

vim pro mundo no Méier. AINDA sóis nasceriam
com flores  azuis no céu. 

Sonetrôncheo ( Soneto Inglês, n° 74. Desentranhado a partir do poema "Balada Trônchea")

Muita vez noite alta
há estrelas em excesso
quando se morre,
fim retrós-Descabraque:

daqui mais dúrias de Tempo
estarei morto. Os pássaros
serão xeréns de pedra-sabão
cantando nos meus duzentos Ofícios.

Espelhos afrouxarão a gravata,
esconderão o choro de minha mãe
nas alterosas de meus olhos Sômbreos,
flor de todas as noites____

terra aplaude meu corpo
liberto enfim: alma Extinta. 

Ordo (Soneto Inglês, n° 73)

Água: pássaro líquido

dentro dos corpos. Quando entardeço
me Chovo, pleno das cãs
talvez Sementes um dia.

Onde ela ausência Lavrária

é sempre Cinza, isso apesar
das árvores azuis no céu
que os olhos teimam cantar.

Em noiterês surgem Íris,

virgens dançando a Roda
em frente dos Três Espelhos:
solstício nos horizontes, brumário o Sono

em Torrentes  -  morte(enfim) Nascitura

pra Côbro, nos sopros: FIM.

Dos Cruces (Soneto Inglês, n° 72)

Pra que  mundéu me aceitasse
arreneguei  mininada  -  ver andirobas
de jardins-Setembro  -  e  foi:
belereléu, triparície

mais reles, pústula. Hipócrita____

mundéu  mais tantra  Jacinto.
Eu são francisco e sã clara
vesti  mentir  por Valência.

De empós  um cu, destabôco

futum de enxofres  gramachos
em várzeas  moucas  de Infância,
xeréns-Outonos, Espadas____

erês fugiram gritando,
batendo a porta dos fundos.
(Imagem: a poetisa Safo)

Soneto Inglês, n° 71 (Para o meu pai, viajoso e bom, afinal)

A vida vale a morte avizinhante
quando nos trincabraques a queda
é passo de Dança, rosa purpúrea
de novo o sol pós aguaceiro Mungubo:

aquele erão de material descárteo

se transformando em  merecidescanso,
como se um pássaro
saltasse pela janela aberta

pra mundos de quizombárias Festuras

e mais quitutes da tia Nastácia,
oxum-Marés Inouvidos no deschanfalhe
desse viver bozó  Fementido____

pra todas as pessoas-Aves

a morte assopra de cabou Chorare.


(Imagem: Rev. Anízio Alexandrino Costa, meu pai.)

Soneto Inglês, n° 70 (Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

Dizias: "luz" - e eram funéreos jasmins a
resvalar nas araucárias do Sono,
sabido em cores  de igual Jacinto,
Adulto em toda a mão-Desespero.

Dizias "sangue": sobre pontes  Sepultas

eram condôs de chuvício a mais  de
cadernos por revisitar, trancadas
quaisquer janelas por onde entrassem

solárias vozes que talvez manhassem

teus pés de Essências, e corredores em
silêncios-Búzios: era esse espectro
inda não posto  em melódias, esferas____

agora várzeas tão mais Crepúsculas

que não Disseste quando a noite vinha...
(Imagem: Parque municipal de BH, de Guignard)

Soneto Inglês, n° 69 (Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin. Pro amigo Luis Turiba)

Intui a claridade: as sombras dos troncos
coagulam pelas Esferas  -  serenidade
florestal Poente escriturada à fonte, e
não fulguram quadrados-Sóis pelas retinas

do animal repleto de penas. Ao lado,

à noite, respira o musgo oblíquo do Sono
com seus azúleos caminhos de folhas onde
se perdem os poemas, estátuas que pesam

na voz Outônea, também Solstícios que as bruxas

dançavam com a maternidade nos dedos,
os mapas mor-Luminância: fundamentares
nos fogos a estenderem garras nas árvores____

tudo um bailo de Síncopas e sons e sêmens

no relicário da noite imposta, Muíria.








(Imagem: Salvador Dalí)



Tetris (Soneto Inglês, n° 68. Desentranhado a partir de original de Catarina Rosa Muirin)

Escamaturas onde uns olhos fermentam
escadas Zéfiras sem lei nem Pontes,
onde era a pele a me entranhar desertos  -
veias claras tingindo em Hora as areias...

mercês-Idade: um cavalano de

pátios ver lusco-fósforo  Extinto,
depois  Silêncio, noitidão mais vasta
que alfazemada se come entre Espelhos____

porque vigindo em deuses plenos de

Barro e dez crepúsculos vestindo
indícios onde os manhares  Nevoam:
demais  a pele a me entranhar desertos...

a morte____ Andária, sobre a cabeça,

dependurada, e cheia de árvores.
(Imagem: Nature Morte au vieux soulier, de Miró)

Soneto Inglês, n° 67

...o pavimento Madura
um bailarino perfume.
Três luas gordas Cantigam
os iribós desfraldados  -

modício  -  odara Inteira.

Entre manhuns e poréns
ninguém desbasta alcantis
armado em pembas de asfalto.

O pavimento  -  onde piso:

erês-Moldura de perfumolências
em régia Dançometria. Problema
pras Não-pessoas, sempre tão duras

de espinhaço e pescoço. Sem cores

e caborés, num desenrôsque  de Infâncias.

Mundéu (Soneto Inglês, n° 66)

Tarde. Mundo passa,
carro-de-boi, nas Cinco Salas:
gente voa, Pássara,
no chão da vida.

O canto do trem de ferro

inda agorinha Minas.
Carquejo de Cambuquira -
as águas Mágicas,

'calanto das nuvens

onde Esperanto____
desvão de Mim,
também Mundéu,

Quissamã

de  Amanhãs.

(Imagem: Serra de Itatiaia, de Guignard) 

Esboço a Carvão (Soneto Inglês, n° 65)

Marrano em foz-Navegança
as naus pastoras em gestas de nuvens,
que o sentimento da  Chuva
um cachambi, de tão Sonhos...

em vés talvez:

que ultramarina a moça grande,
aquele som das Geraes
nos ouros do apogeu de Então...

erês-Brasília foi toda a terra planalta

que meu pai viu quando na casa da ponte
onde mil céus de Goiás
na voz demais Coralina

girão de Aléns os meus sonoros junhos,

eu de bantós ver Guaxim.
(Imagem: Circo, de Portinari)

Soneto Inglês, n° 64 (Pra amiga Emanuela Helena)

Mundo-Caim, quéde Amarildo? - 
 perguntam os Três enquanto o resto dos homens
 imola as últimas árvores, não vendo
 o tiro no pé, nem as bocas do inferno

com seus mortos num Quizumbró -

lembrança Amarga de um mundo
que deixa os homens sem  Rosto
antes da mão do Carrasco.

Na mesa Antiga de pedra secaram

os braços de Mar, dragões dinamitaram terraços -
levavam ao coração do Hóspede - hoje as palavras
estão na boca das armas, são cais desertos

o que ainda gritam os altares. O mais: barrício
de erês-Culturas  Jacintas.
(Imagem: Enterro, de Portinari)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Soneto Inglês,nº 63

As nuvens: aimaras enormes,
parecem saber meu Nome.
Agosto dança as marés 
mas vi, Senhora, a lua negra.

No bosque antigo as estrelas

plantam mandioca na terra,
fertilizam mulheres
sob a largura do tempo.

Esferas e ampulhetas dançam

a semente do poeta futuro.
O filho pródigo despenteia horizontes,
abraça o amigo, o inimigo

lanternas de fogo nas mãos:

estrada  para Emaús.

(Imagem: sonho causado pelo vôo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar, de Salvador Dalí)

Petrékio (Soneto, nº 62. À memória de Antonio Petrek, pintor paranaense)

Cidade dos homens: vi as horas 
andarem ruas inteiras
querendo aboio dos pássaros,
atrás de espelhos  -  Mistério.

Nuvens cambonam raios,

falam trovões sobre os ouvidos
já fartos de politices,
desabam tardes sobre edifícios

e sobre os carros  despidos

de seus cavalos. Vi centauros e peixes
apagando o sol, deixando a sala 
 (em silêncio), a própria música

dormir no fundo dos Mares,

na cidade dos homens.

(Imagem: pintura de floresta, à noite)