quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Soneto, n.505(Pro amigo Daniel Ribas. Forma Paulo Henriques Britto)

DomingORÔ dia dos pais em Bangu,
manhãÇAria em

pelancas GrÓssas de altares, oficiÊS:
os bois hoMÍnidas seguem comendo espingardas e
soltando fumos num MisturÊ

de muitas lÂmpadas de escuridão CrasseÚda,
jaqueline sepulta mais bonitona que os anjos,
mandingas de nazarÉS
e XerÉns no arroto do Instante:

meus sete erÊs-Cardeais 
marcando as horas em que meu RÔsto aparece
no Espelho de IndigeNÍssimas vertentes______

céu de Quases me Existe em desenRÊdos...
cardinaLÍcios, ponta-Areia sem Trem.

Soneto, n.504(Forma Paulo Henriques Britto)

Instantes de uns olhos-Púrpura
num tempo em que elas noites 

nem tudo Anoiteciam: havia no suBÚRbio
o respirããão da Portela trazendo pro carnaval 
ventácias de Modernuras_______

ainda no tempo em que o
retrato do Velho fazia todo mundo 
trabalhar direitinho_____ isso PRURque serafins 
jogavam no bicho em Bangu. Mas hoje 

andam Espaços no lado esquerdo 
e eu nunca mais fui a Escola,
sol de quase dezembro Sumiu por Tudo,

faz Nuvem, groSSa de raios:
já não direi Passarim.

DomingoRÔ(Soneto, n.503. À memória de Ana Cristina Cesar. Para Jéssica Campos)

Domingo público na praça grande,
manhã faz pouco tirou pijama,
velho Ferges pensando a vida
no banco de sorriso verde

('manhou farranCHÊs de ração para o 
rebanho de tubas 'inda escurÉU marfanhÁVA,
ouvindo ali dos gaLHÉus
o conta-gotas dos pássaros)________

na praça ambulam carrinhos chineses 
com bebês arquivados dentro - velho Ferges
olha compriiido neles, o pensamento 
amarroando cinZÁlias_______

"eles-Tudo têm Sorte, não viram zé-bolsonaro
e as Trééévas nas salas do hhomem".

Soneto em Lá Menor(n.502, para Luciana Moraes. Forma Paulo Henriques Britto)

Manhãçaria que em nÉvoas sobe o
tÚnel do sono: Alma esgadanhada

desCÁsca um sabão e num repente 
todas as trompas são liLÁs, dia
é Bem criança que nos Veste

a própria alm'IntÊra - isso desque os andaimes do
mundo não tinham olhos 
pra fazer a barba, roXÚndos Ipês
brotavam das axilas_______

depois mais faMÍlias bebendo chás
em xícaras jabaQUÉras, Norte lá fora 
move entranhas de florÁcias de arroz______

em cada rio um deus espera
pra nos  Conhecer.

Café no Paço em soneto(Soneto, n.501, com pitada de Manuel Bandeira. Forma Paulo Henriques Britto)

Caraça do Paço à tarde sem
farrancho de chuva_______ jaz aqui

um dos lenhos onde Brasil foi PAÍS 
de qualquer maneira à Vera: digam
ao povo que Fico.

Na mesa onde ponteio um café 
se ouve perto algum garrancho de 
som, quarteto de cordas,
talvez Beethoven______ há

gravidááde em meio aos fogos d'artifício,
mas troppo dolce
tipo ela flauta 

que o grilo do Manuel
queria tocar NÃO.(*)


(*)Poema "O Grilo".

Soneto, n.500(Forma Paulo Henriques Britto)

A torre do templo era desfôlhe, parede
sem quadro à Mostra:

montragem de mar Inteiro
armando as sete taças da Ira,
malasombrança de samba em dez pontos

'travessado por Faca_______ e o Rór de sangue
pÔs multidões na barca de Caronte,
porque não há mais íris, nem girassóis,
nem tempo_______

serafins choram lágrimas grossas
sobre o retrato do Velho, suspenso
entre dois acordes - riso à la dentes

reRÊquentados, banzantiNÁlia Cracuda
no sol de quase dezembro.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

SonetinhoRÔso, Três(Soneto n.499, forma Paulo Henriques Britto)

Porque Paris valia bem uma missa
o rei protestante Peidou, e o sol

perdeu novamente as asas. A história 
é gorda em rocamboles desta Monta, 
céu de nuvens Rombudas:

mais de urubus-Canhambora
cortando em mil as horas tempoRÃS,
incêndios com lâminas Plenas,
cabou XerÉm que foi doce,

socavÕES são invernadas sem porta,
era dezembro e inda Amarildo não Pôde
ter sepultura_______

porque Paris vaale bem uma missa:
nunca se enterre Amarildo.